Opinião: Cidades de Papel, o Filme

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Estreou nesta última quinta-feira, dia 9 o filme Cidades de Papel, baseado no livro do autor John Green. Segue abaixo a nossa crítica sobre o filme sob o ponto de vista de quem já tinha lido o livro e de quem viu a estória pela primeira vez.

Camilla (leu o livro): Cidades de Papel trouxe uma nostalgia para mim, porque de alguma forma me fez lembrar os filmes sobre adolescentes da década de 80. O texto de John Green facilitou muito a vida dos roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber, já que estes souberam enxugar os excessos de Green durante a adaptação da obra. A direção do desconhecido Jake Schreier foi muito feliz, sabendo muito bem como acentuar as cenas mais importantes. Alguns aspectos da leitura se perderam, dando vazão a uma história mais leve, menos tensa e prolixa. As atuações de Nat Wolff (Quentin Jacobsen) e Cara Delevingne (Margo Roth Spiegelman) convencem, mas é o trio de amigos que rouba a cena e o enredo do filme. Quentin, Ben (Austin Abrams) e Radar (Justice Smith) são a tríade da alegria, confusão, descontrole e amizade que reina durante todo o drama de Cidades de Papel, a base que fez o filme ter uma entonação mais feliz que o próprio livro homônimo.

Sílvia (não leu o livro): Resolvi me arriscar a assistir ao recém lançado “Cidades de Papel” sem ter lido previamente o livro homônimo de John Green por várias razões: a estreia antecipada no Brasil, as entrevistas do próprio John e uma resenha que mencionava a (excelente) inspiração deste filme em outros dois filmes que me são muito queridos, Conta Comigo (1986) e O clube dos cinco(1985).
Ao que parece, tive uma decisão bastante acertada!
Me diverti muito, refleti e ainda matei saudades do tempo em que tudo que me preocupava era a formatura…
É curioso, observando em perspectiva, o quanto podemos encontrar respostas diversas as mesmas perguntas… Esse é o dilema de Quentin (numa excelente atuação de Nat Wollf), quando este se apresenta na tela sua voz em narração te pergunta “pra você, o que é um milagre?” e durante a projeção, muitas respostas surgem, tanto aos personagens quanto ao expectador.

Fernanda (não leu o livro): Primeiramente, preciso pontuar que não li o livro de John Green. Por várias razões, dentre elas o número de críticas negativas em relação a esta obra específica de John Green. Não que não tinha a intenção de lê-lo, eventualmente, mas diante de vários comentários negativos, optei por deixa-lo para depois, um depois que ainda não chegou.
Sendo assim, minhas considerações baseiam-se apenas no que me foi apresentado, da história e dos personagens, pelo filme. E, por isso também, não sei dizer o quanto a adaptação para os cinemas de Cidades de Papel está fiel ou não.
Confesso que, em um primeiro momento, não entendi ao que aquele filme e seus personagens vieram. Em um começo extremamente monótono e, aparentemente, sem significado, o filme demorou a capturar minha atenção como eu gostaria.
Iniciamos com Quentin e Margo sendo apresentados e, com eles, o sentimento nutrido desde o primeiro momento por Q àquela menina linda e misteriosa. Durante toda a infância e adolescência, Q continua nutrindo esse amor platônico, mesmo quando os seus caminhos e os de Margo tomam rumos diferentes: Margo, torna-se a garota popular e rainha da escola; Q segue com sua dupla de amigos nerds e estranhos.
Em um dado momento, o que parecia impossível acontece. Em uma noite, Margo entra,como há muito tempo não fazia, pela janela do quarto de Q, convidando, ou melhor, persuadindo-o a acompanha-la em uma aventura noturna. Tomado pelo sentimento de anos e pela esperança de ter sua amiga de volta, Q aceita o convite e, juntos, compartilham uma noite de aventura, que provoca a sensação de que seus caminhos nunca haviam se desencontrado, de que haviam retomado aquela velha amizade exatamente do ponto em que haviam parado, e que dessa vez tudo seria diferente.
No dia seguinte, entretanto, Margo desaparece, e Q, certo de que seu milagre finalmente havia chegado, de que aquelas tão importantes pistas deixadas eram finalmente destinadas a ele, decide dedicar todos os seus esforços para encontrar Margo, afinal, isso era exatamente o que Margo estava tentando dizer, pedir.
Nesse momento, inicia a melhor parte, sem dúvidas, do filme: a viagem em busca de Margo e sua Cidade de Papel. Q, Ben e Radar iniciam uma jornada cativante, cheia de descobertas, aprendizados, conhecimento, mas, acima de tudo, de solidificação de uma amizade de anos. Além disso, risadas são garantidas nessa parte do filme, e destaco que, com certeza, Ben é o grande responsável pelas boas gargalhadas que damos nesse momento.

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Camilla (leu o livro): Outro ponto a destacar é o final. Calma, não vou soltar nenhum spoiler, não é minha função. Mas a conclusão dada deixou a narrativa mais verossímil e honesta para o telespectador. Concluindo não só toda premissa apresentada sobre as impressões e realidades, como também sobre o fim de uma fase da vida confusa, divertida e maravilhosa que é a adolescência.Destaques: Austin Abrams, definitivamente o melhor coadjuvante que o filme poderia ter tido. A sua personagem Ben é extremamente engraçada e enfática. A trilha sonora me pareceu adequada, eclética e bem executada durante todo o filme. A fotografia é simples, mas conseguiu corresponder ao imaginativo desta pessoa que vos escreve. E o final, que foi mais conciso e brilhante.

Sílvia (não leu o livro): Como todo filme que trata de rituais de passagem, ele fortalece conceitos com bastante eficiência, em especial sobre a importância e a força da amizade. Neste aspecto, a amizade entre Quentin, Ben e Radar é tão bonita, leve e ao mesmo tempo tão forte, que é impossível não se apegar, torcer por eles, para que esta amizade dure para sempre!Mesmo que saibamos que, na vida real, tomamos as vezes caminhos que nunca mais se cruzam…
O mesmo não posso falar de Margot. Apesar de muito bem interpretada, confesso que não nutri nem nos seus melhores momentos, simpatia pela personagem. Talvez por ela refletir uma outra faceta da juventude, como a impulsividade, muitas vezes egoísta e inconsequente.
Entretanto, a trajetória desses personagens, lembra de forma tão afetiva situações que experimentamos na nossa própria adolescência, que é impossível resistir!
Eu gostei muito e recomendo, pois, mesmo não tendo lido o livro, isso não trouxe qualquer prejuízo na compreensão da história. Então, embora pro cinema!
P.S.: E querem um motivo bônus para ir ao cinema? Não vou falar nada, mas você pode começar a gostar mais de dragões…

Fernanda (não leu o livro): Ao final da jornada pela busca de Margo, nos deparamos, finalmente, com o significado do filme e as mensagens valiosas que ele deseja passar.
É correto, conosco e com os outros, depositarmos tão intensamente e desenfreadamente nossas expectativas em alguém ou algo? É justo para conosco e para com os outros? Se de um lado ferimos a nos mesmos ao focarmos tão intensamente em algo, que em sua grande maioria encontra-se em um futuro incerto, alimentado apenas pelas nossas esperanças, e fechamos nossos olhos para tudo o que acontece em nosso presente, não dando a devida importância aos momentos preciosos que constroem nossos caminhos; de outro injustiçamos nosso objeto de desejo, romantizando algo que não sabe nem ao menos o que é. Idealizamos pessoas e objetos, baseados em predefinições existentes, mas que em sua maioria não são reais.
Se de um lado temos Q, em busca de sua Margo; temos Margo, em busca de si mesma. E no meio? Temos Ben, Radar e uma amizade construída com tamanha sutileza e suavidade, mas que, mesmo que apenas momentaneamente, é deixada de lado, esquecida ao longo do caminho.
Onde devemos colocar nossas expectativas? E, afinal, devemos tê-las de forma tão intensa? E será que o final da jornada é o que importa, ou o caminho até ele?
Diferentemente de muitos, o filme me fez desejar conhecer mais um pouco da personagem Margo e toda sua complexa busca por si mesma… Observar seu próprio ritual de passagem.
Saúdo todos os atores que, de forma linda, trouxeram vida a personagens tão cativantes e com suas caraterísticas peculiares. E, mesmo depois de um começo um pouco monótono, saúdo o filme e suas mensagens, voltadas a um público em sua grande maioria formado por adolescentes.
Pode não ter sido a forma mais criativa ou mais original de repassá-las, mas sem dúvida foi uma forma válida.
Pontos extras para fotografia e trilha sonora.

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