Resenha: Proibido – Tabitha Suzuma

resenha_proibidoSinopse:
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

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Quando comecei a ler Proibido, apesar de ser contra relacionamentos sexuais entre pais e filhos, irmãos e membros da família, joguei meus preconceitos, minha moral e minhas crenças fora e fui ler o livro.
Racionalmente falando, esse livro é chocante, reflexivo e muito bem escrito.
Racionalmente falando, esse livro merece 5 estrelas…
Maaaaas…
Emocionalmente falando, esse livro é totalmente conturbado.
Eu sinceramente não sei qual foi o objetivo da autora ao escrever o livro:
1) Mostrar aos leitores que o incesto tem que ser liberado na sociedade?
Ou
2) Mostrar aos leitores que por serem pessoas desequilibradas emocionalmente, os personagens cometeram o incesto?
Minha opinião MUUUITO pessoal?
A opção 2, NESSE CASO.
Lochan é o menino mais desequilibrado emocionalmente que eu tive o prazer ou desprazer de ler. Ele não me trouxe sentimentos de asco ou nojo, não.
Apesar desse assunto delicado, meu maior sentimento foi pena, dó.
Mas em nenhum momento eu torci para que Maya e ele ficassem juntos. Por que? Porque NA MINHA OPINIÃO eles são emocionalmente carentes, emocionalmente doentes, essa é a verdade.
Lochan tem ataques de pânico desde novinho e é totalmente antissocial. Essa timidez excessiva dele parece mais uma síndrome e não uma simples timidez. Ele não se sente a vontade com ninguém a não ser com sua família, não tem amigos a não ser Maya. Isso não é normal. Não é saudável.
Várias vezes no decorrer do livro Maya cita que ela e Lochie são almas gêmeas.
Eles não são almas gêmeas.
Ponto.
Minha opinião PESSOAL.

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O amor deles não me convenceu. É um amor doente, fruto de uma MUITO infeliz circunstância. O pai os abandonou. A mãe é uma bêbada que mais parece uma adolescente e que não para em casa. Eles tem mais 3 irmãos pra criar.
Maya vê em Lochan o pai, o amigo, o irmão, o seu salva vidas, alguém essencial na sua vida.
E então, sem um adulto para monitorá-los, sem um adulto com quem eles possam contar, sem ninguém pra dizer o que é certo e errado, eles são os donos do seu mundo. Eles consolam um ao outro nesse universo tão injusto, onde essas crianças tem que fazer o papel de pai e mãe.
Lochan tem apenas 17 anos. Uma criança infeliz, deprimida, psicologicamente doente. Não existe outra saída pra ele a não ser o final trágico.
O que mais me incomodou na leitura é não saber o objetivo da autora. Ela acha que a culpa é da sociedade por não aceitar o incesto ou ela acha que a culpa é da sociedade por conta dessa família disfuncional que faz Lochan e Maya pagarem um preço tão alto por isso?
Mas o que me marcou nesse livro não foi o incesto. Foi a injustiça. De uma família emocionalmente inconstante.
Se Maya e Lochan vivessem com pais amorosos e firmes, tivessem uma relação estável como familía e mesmo assim se apaixonassem, aí sim teríamos um caso legítimo de incesto. Esse não foi o caso. Incesto aqui nao é a grande questão do livro NA MINHA VISÃO. O problema é o abuso.

“Abuso?” Exclamo com espanto.
“Mas quem estaria abusando quem? No abuso, há um agressor e uma vítima. Como poderíamos ser visto como ambos, o abusador e abusado?”
“Maya, vamos lá, pense nisso. Eu seria automaticamente visto como o agressor e você a vítima.”

Mas o abuso aqui não parte de Lochan, como ele mesmo acha em determinado momento. Lochan assim como Maya são os abusados, negligenciados e vítimas da situação. Os pais, os grandes vilões e monstros, são os verdadeiros culpados.
Muitas pessoas viram beleza em Forbidden.
Eu só vi tristeza.
Muitas pessoas se emocionaram em Forbidden, eu só consegui sentir compaixão. Dor por uma história que eu não sei se é real ou não, mas eu espero, eu torço e então choro, para que não seja. Nenhuma criança nesse mundo merece ser tratada dessa forma. Uma criança merece e espera ser amada e cuidada incondicionalmente por seus pais.
No caso de Lochie e Maya, acabam procurando isso neles mesmo, se confundindo, se confortando da única forma que eles encontram.
Porque ninguém os ensinou a forma correta. Isso não é moralismo, isso não é preconceito.
É real.
É doído.
Esse livro foi cru e real, porque mais do que incesto, muitas crianças passam pela mesma situação carente que os personagens.
Eu termino aqui, concluindo que esse livro não me fez achar o incesto um pouco mais normal ou aceitável, não me fez torcer para que esse casal de irmãos tão sofrido ficassem juntos.
Me fez torcer sim, para que eles encontrassem pessoas que os ajudassem a ultrapassar seus problemas internos, torcer para que a mãe deles se arrependesse e desse todo o amor, carinho e assistência que eles mereciam desde o princípio.

1estrela

Por Anna Camila

6 pensamentos sobre “Resenha: Proibido – Tabitha Suzuma

  1. Gostei muito da resenha! Tudo que é proibido é mais gostoso, mas nesse caso e nessa história, isso não tem nada de bom! Abuso é crime e esse livro mostra uma certa realidade!

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  2. acabei de ler o livro agora e confesso que fiquei abalada e muito triste, meu sentimento é de pena por tudo o que eles passam, porem é extremamente bem escrito e de tal forma que em momento algum sinto nojo dos personagens, apenas compaixão… (não entendem isso como aprovação do incesto) e confesso que torcia por um final do tipo miraculante e milagroso onde de alguma forma se descobrisse que eles não eram irmãos! queria que a vida deles fosse menos triste e mais facil!

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