Resenha: Song Of Fireflies – J.A. Redmerski

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Sinopse:
Desde que eram crianças, Elias Kline e Brayelle Bates têm sido inseparáveis. Quando Bray se muda para a Carolina do Sul, separando os dois pela primeira vez, eles finalmente percebem que sua inocente amizade de infância tornou-se algo muito maior. Então, quando Bray finalmente retorna para a Geórgia, e para Elias, as coisas entre os dois não poderiam estar mais perfeitas… até que uma fatídica noite muda tudo.
Desesperados para não irem para a prisão por um terrível acidente, Elias e Bray decidem fugir. Enquanto tentam aproveitar ao máximo sua liberdade, os dois se veem dependendo de um grupo rebelde que instiga a dupla para uma nova vida selvagem e ousada. Mas eles não podem fugir de seus problemas para sempre.
Quando as consequências de seu passado os alcança, o casal é obrigado a finalmente enfrentar a realidade. E, mesmo que eles consigam superar o inimaginável, Elias conhece a verdade sobre a dolorosa história de Bray. No final, ele poderá não ser capaz de salvá-la de si mesma.

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#DicaDaVez


“Somos todos diferentes. Todos nós temos nossas próprias peculiaridades e falhas e segredos obscuros. Todos nós estamos fodidos em algum nível, ou não queremos admitir isso para nós mesmos. E eu gosto de acreditar que nem todo problema ou questão com que lidamos em nossas vidas diárias devem ser rotulados com um título extravagante.”

Antes de tudo, sempre gosto de ressaltar que não sou uma resenhista. Sou uma leitora. Uma leitora que às vezes sente a necessidade de colocar em palavras e compartilhar com outros os sentimentos que um livro provocou em mim. Geralmente são livros que mexem com minha cabeça, que mexem profundamente com meus sentimentos, com minha sanidade mental e emocional e que, por algum motivo, marcam profundamente minha leitura.

Também gosto de ressaltar que sou uma leitora eclética, ou seja, gosto de basicamente todos os gêneros literários. Não tenho preconceitos, não tenho restrições. A única coisa que busco são histórias que mexam comigo de alguma maneira. Elas podem me tocar profundamente, elas podem me fazer refletir sobre questões e valores importantes na minha vida, elas podem me fazer chorar, soluçar, rir até não conseguir respirar, elas podem me surpreender e me fazer gritar alto “O QUE DIABOS FOI ISSO?”. Enfim, não espero uma reação específica, apenas espero alguma reação, verdadeira e genuína, e esse é meu padrão de avaliação do quanto eu gosto ou desgosto de um livro: o quanto ele é capaz de mexer comigo. Eles até podem conter clichês (adoro um clichê), podem até conter alguma falha técnica (nada muito gritante, claro!), mas eles precisam ir além, além do esperado e, quem sabe, até mesmo do inesperado.

Além disso, sou uma leitora compulsiva por teorizar. Eu absolutamente não consigo evitar, e na verdade nem tento, porque adoro fazer isso, formular teorias do que está por vir e do que está atrás de cada acontecimento. Formular soluções para os problemas que surgem, principalmente aqueles que aparentemente não têm saída. Algumas vezes isso me leva a beira da loucura e da sanidade mental, outras vezes divago tanto que acabo desvendando o enredo antes do livro acabar (e não! eu não trapaceio!). A questão é que adoro sofrer fazendo isso!

Outra coisa que precisa ficar claro é que eu simplesmente abomino spoilers! Você NUNCA me verá correndo para a última página de um livro, por mais tensa que eu possa estar diante do incerto! Eu acredito que ao procurar um spoiler você está cometendo um assassinato literário. Ok… às vezes o spoiler não é nem tão relevante assim, mas existem livros que entram em uma categoria que requerem uma leitura às escuras. O inesperado, o incerto, a surpresa são ingredientes primordiais em certas leituras e fazem toda a diferença. Song of the Fireflies, assim como todos os livros que já li da autora J. A. Redmerski, entra nessa categoria. Se você ousar ir para a última página, você estará perdendo grande parte do prazer de ler essa história.

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Mas vamos ao ponto…
Song of the Fireflies agrega quase todos os elementos que aprecio em um livro, o que faz dele facilmente um livro não 5 ou 10 estrelas, mas um livro que rompe a barreira dessa escala. Eu facilmente o incluí na minha lista de favorito-de-todos-os-tempos e dei estrelas infinitas para essa história que é ao mesmo tempo alucinante, angustiante, desoladora, profunda, emocionante, especial e maravilhosamente linda. Ele tem uma áurea sombria, melancólica e depressiva, e, por mais que eu não tenha uma gota sequer de depressão em minhas veias (talvez um pouco de melancolia sim), eu nunca pude evitar ser completamente arrebatada por histórias assim; por livros, filmes, músicas com esse toque. Muitos me chamam de masoquista, mas a verdade é que talvez goste tanto de histórias assim, porque esse ar tem o poder de despertar em mim sentimentos e sensações profundas, intensas, fortes… e eu sou uma pessoa muito mais emocional do que racional. Bom, eu racionalizo sim muito as coisas, e meus pés são sim fincados, na maioria das vezes, no chão, mas no fundo no fundo sou levada pelas emoções que me cercam, que me atingem, que me consomem.

Um dos elementos que mais me encantam e fascinam, e que está presente nesse livro, é o amor de infância. Amor que surge na tenra idade, ainda na inocência quando os sentimentos são puros e imaculados, e que só fortalece com o passar dos anos. Amor verdadeiro, genuíno, puro, que consome o coração e a alma. Não de uma forma destrutiva, mas de uma forma que se mostra como única forma de salvação diante de situações que parecem não ter saída. Amor que compreende, que aceita e que admira. Amor que supera e que luta até o fim se preciso for para permanecer junto. Amor que pode ser incompreendido por muitos, mas que não é demais, porque duas pessoas podem se amar TANTO que nem a morte os separará, mas elas nunca amarão DEMAIS.

Outro elemento que me fascina: o incerto. J. A. Redmerski comprovou para mim nesse livro que ela é mestre na arte de trabalhar o incerto, de confundir a mente do leitor de tal maneira que ele sempre será pego de surpresa de uma forma ou outra. Ela me jogou em uma montanha russa de emoções que me deixou com os nervos à flor da pele. Como sempre, Redmerski deixou-me às cegas, sem ter nem ao menos a chance de racionalizar, teorizar, supor o que estaria escrito na página seguinte. Diante de tantas situações sem saída, por mais que eu tentasse conjurar em minha mente um brecha, uma porta, eu não conseguia vislumbrar nada além do que ela explicitamente apresentava e dava a entender. Por mais que eu tentasse, ela fazia questão de jogar na minha cara que apenas aquela escolha seria a solução. Tudo ficou turvo e eu só conseguia me ver novamente na mesma situação que a própria Jessica me colocou há um ano atrás: mentalizando incessantemente que ela não seria capaz, que ela não teria coragem, mas sabendo no fundo que ela seria capaz e que ela teria coragem se essa fosse a vontade dela. A partir do capítulo 8, meu coração permaneceu acelerado até o fim, um nó na garganta formou-se e acho que até agora não se desfez e um frio na barriga, como se eu estivesse à beira de um penhasco pronta para cair a qualquer momento, me acompanhou até a última palavra do livro.

O incerto sempre faz adrenalina disparar nas minhas veias, e isso não é diferente quando leio. Um dos motivos por ter tanto prazer em ler é sentir essa corrente de adrenalina, é ter essas emoções tão vivas e afloradas enquanto experimento uma situação através da vida de um personagem. É chorar, desesperar, sofrer, me angustiar como se a falta de saída e perspectiva estivessem atingindo a minha própria vida e não a de um mero personagem inanimado que estampa algumas páginas de papel. É sentir como se cada batida do coração, cada desespero, cada dúvida, cada lágrima deles fossem minhas. Sempre me vejo em um turbilhão de sentimentos quando encontro um livro capaz de fazer isso comigo: alegria de ter encontrado algo que desperta isso em mim e desespero ao enfrentar tudo isso.
Ela me arrastou por esse turbilhão durante toda a leitura. Eu me vi imersa na história da primeira página até a última. Imersa nos medos e angústias de Brayelle Bates, em sua luta interna de tentar compreender o que se passa em seu interior, em sua mente, em sua alma. De tentar encontrar a si mesma. E de tentar lutar contra algo tão forte e poderoso, de tentar fugir disso, mas que a cada passo dado a subjugava mais e tomava conta de cada pensamento e sentimento, por mais que ela desejasse tanto o contrário.

“Eu não tinha ideia do que estava me metendo com Brayelle Bates. Eu não entendia essas coisas quando tinha nove anos. Eu não sabia. Mas eu nunca me arrependeria de um momento com ela. Nunca.”

Imersa na luta, coragem, força e determinação de Elias Kline. De um amor tão profundo, tão forte, tão determinado, capaz de lutar contra qualquer coisa, até mesmo contra aquela a quem ele ama, para romper cada obstáculo ou, por fim, render-se a todos eles. Eu temi por Bray, mas acima de tudo eu sofri com Elias. Em dois momentos cruciais, sofri profundamente e senti com cada fibra do meu ser o desespero latente que marcava a alma dele e o peso que ele carregava sobre os ombros. E em um desses momentos, em que me vi a mercê do desejo da autora, sem poder fazer absolutamente nada a não ser esperar para descobrir qual tinha sido a escolha dela, eu realmente compartilhei cada sentimento do personagem. Chame de loucura, de absoluta paixão, de dramaticidade, de exagero… de qualquer coisa… o fato é que enquanto ele caía de joelhos, eu me levantava e andava de um lado para o outro, tentando absorver a onda de emoção que há muito tempo eu não sentia ao ler um livro. (E o que você faz quando você é levada ao limite durante uma leitura? Desabafa com suas companheiras de leitura ou… PERSEGUE A CULPADA POR ISSO NO TWITTER E ATORMENTA ELA ATÉ COLOCAR TUDO PARA FORA!!!)

“…mas o amor não é sempre rosas e arco-íris e borboletas no estômago. É igualmente cruel e doloroso e o pior vilão do mundo.”

Todavia, a intensidade deste livro não se restringe apenas aos personagens principais. Os personagens secundários carregam uma grande carga de emoção que me atingiram desde o primeiro momento. Confesso que, ao me deparar com eles em “Entre o Agora e o Sempre”, uma grande antipatia tomou conta de mim, e isso contribuiu para o tal “inesperado” do qual a autora comprovou ser uma mestre em trabalhar. Eu esperava um grupo de pessoas com determinadas ações e comportamentos, mas fui completamente enganada mais uma vez. Eu me conectei tão profundamente com cada um deles que me vi querendo pegar o telefone mais próximo e, de alguma forma, ligar para Andrew Parrish e defendê-los, por mais indefensáveis que sejam. Ok! Eu ainda cometeria um assassinato qualificado contra Johanna sem pestanejar, mas o fato é que não tem, exceto Johanna, um único personagem com o qual não tenha me conectado nesse livro e cada um deles trouxe algo para a história em uma dinâmica perfeita.

Assim, ao terminar Song of the Fireflies, pude comprovar o porquê de J. A. Redmerski ser minha autora favorita. Mais uma vez ela me surpreendeu, fugindo do convencional, dos estereótipos, dos clichês, quebrando regras, superando o inesperado e a si mesma, abordando um tema tão delicado e atemporal, me enganando completamente como só ela é capaz de fazer, trazendo uma excelente escrita, um enredo brilhante, que faz você ultrapassar seus limites, que te instiga. Mais uma vez ela demonstrou sua capacidade de diversidade. Song of the Fireflies é completamente diferente de Entre o Agora e o Nunca, Entre o Agora e o Sempre, também classificados como NA, e da série In The Company of Killers, mas é tão surpreendentemente brilhante quanto eles, mostrando o enorme talento de uma autora tão versátil.
Para alguns, pode ser que o livro não agrade, não funcione, seja sombrio demais. Para mim? Funcionou PERFEITAMETE!!! E, novamente, destaque para a trilha sonora absolutamente impecável!

my rating 5 stars
Por Fernanda Aragão

Um pensamento sobre “Resenha: Song Of Fireflies – J.A. Redmerski

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