Resenha: No Limite da Atração – Katie McGarry

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Sinopse:
Ninguém sabe o que aconteceu na noite em que Echo Emerson, uma das garotas mais populares da escola, se transformou em uma “esquisita” cheia de cicatrizes nos braços e alvo preferencial de fofocas. Nem a própria Echo consegue se lembrar de toda a verdade sobre aquela noite terrível. Ela só gostaria que as coisas voltassem ao normal.
Quando Noah Hutchins, o cara lindo e solitário de jaqueta de couro, entra na vida de Echo, com sua atitude durona e sua surpreendente capacidade de compreendê-la, o mundo dela se modifica de maneiras que ela nunca poderia ter imaginado. Supostamente, eles não têm nada em comum. E, com os segredos que ambos escondem, ficar juntos vai se mostrar uma tarefa extremamente complicada.
Ainda assim, é impossível ignorar a atração entre eles. E Echo vai ter de se perguntar até onde é capaz de ir e o que está disposta a arriscar pelo único cara que pode ensiná-la a amar novamente. No limite da atração é um livro sexy e envolvente sobre o amor de duas pessoas que estão perdidas e que juntas tentam desesperadamente se encontrar.

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No começo de 2013, uma indicação literária chegou as minhas mãos. Não sei ao certo como, tenho quase certeza que foi pelas mãos da Mirela (quem mais?), mas apenas sei que chegou e agradeço até hoje que tenha chegado.
Naquela época, por questões de saúde, estava afastada do trabalho em licença médica. Como não podia fazer muita coisa, foi uma época que li muitos livros, porque lia em um ou dois dias cada. Dentre aquela leva de leitura estão alguns dos meus livros favoritos até hoje, que guardo no meu coração: Métrica/Pausa/Essa Garota, Inferno de Gabriel/O Julgamento de Gabriel, Rule, The Boy Who Sneaks in My Bedroom Window, Fallen Too Far/Never Too Far, The Education of Sebastian/The Education of Caroline, Um Caso Perdido, Leo, Mar da Tranquilidade…
Cada livro, cada história, cada personagem me atingiram, como ainda me atingem, de uma forma especial e diferente. Com cada livro aprendi e aprendo algo novo. Com cada livro senti e sinto algo diferente. Em cada livro admirei e admiro algo especial.
Dentre todos esses livros tão conhecidos, e divulgados, e aclamados (Ok… e odiados por alguns! Sem problemas! Aprendi a lidar com a rejeição, na maioria das vezes, dos livros que eu, particularmente, amo! Tá tranquilo!), havia a indicação de um… Um livro que, às vezes até ouço alguém comentando ou indicando, mas não com a mesma frequência que os demais. Pelo menos não aqui. Um livro aparentemente simples, mas que tocou profundamente meu coração e minha alma. Um YA como tantos outros, mas que – não sei bem explicar o porquê ou talvez não soubesse explicar o porquê até então – me proporcionou uma das leituras mais intensas que já tive. Um livro que nem mesmo a pessoa que geralmente me entendia entendeu porque diabos eu não parava de chorar enquanto lia. Um livro que nem eu mesma entendi porque chorei do começo ao fim. Um livro que quando vejo alguém falando mal, fujo e me escondo, não porque precise controlar a fúria e meu ímpeto de bater boca, mas porque machuca, dói, corta meu coração.
“Pushing the Limits” ou, segundo a tradução em português, No Limite da Atração (Por quê? Apenas me pergunto por que eles fazem isso com os títulos?) da autora Katie McGarry.
Naquela época, quando apenas lia e minha interação nos grupos de leitura resumia-se basicamente a pobre Mirela que me atura há quase três anos nessa loucura; quando eu não escrevia praticamente nada sobre os livros que lia, muito menos resenhas ou desabafos, alguns ‪#‎DicaDaVez‬ ficaram guardados em meu coração sem nunca terem tido a oportunidade de serem compartilhados.
Mas, no fim, talvez isso tenha sido bom, porque, na verdade, eu não saberia à época como colocar em palavras o que esse livro, essa história, esses personagens causaram em mim. Como disse, chorei do começo ao fim. Na época, culpei a TPM. Na época, escusei meu comportamento e minha dor pelo fato de ter dois irmãos com os quais divido um laço forte e incomparável de amor e, por isso, compreender tão bem Noah e Echo. Na época, cansei de procurar razões e apenas me entreguei às emoções.
Até hoje quando me lembrava desse livro, desses personagens, de suas histórias, meus olhos enchiam-se de lágrimas, meu coração apertava e eu ainda continuava sem entender o porquê de sentir tamanha emoção ao relembrar de um único livro. Não me entendam mal. Quando digo que não entendo por que senti isso, não é porque o livro seja ruim e tenha acabado gostando sem saber o porquê. A história do livro, para quem ainda não leu, é linda, tocante, profunda como, geralmente, apenas os YA conseguem ser. A questão é que, na maioria dos livros que leio, eu me emociono em certas partes, mas nunca durante todo o livro. Eu nutro a antecipação pelo fim com toda a ansiedade que sou capaz de sentir, mas nunca temi com todo o meu coração o desfecho de um livro (EXCETO EM ENTRE O AGORA E O NUNCA! Porque POR DEUSSSS!!!). Mas, a maior diferença é que eu, nos demais casos, geralmente SEI porque me emocionei com essa ou aquela história, com esse ou aquele personagem, com essa ou aquela situação. Dessa vez, não. Não consegui entender a real razão de sentir tão intensamente cada página desse livro. Não consegui… ATÉ hoje.
Pushing the Limits, ou No Limite da Atração, é o primeiro livro de uma série. Cada livro seguinte abordou a história de um personagem diferente da história, totalizando cinco livros. Entretanto, Katie resolveu nos surpreender ao dedicar o sexto livro da série novamente aos personagens Echo e Noah, contando um pouco mais da história dos dois. O livro foi lançado no dia 08 de dezembro de 2014, nos EUA.
Não. Não vim falar do novo livro “Breaking the Rules”. Vim falar de algo que li na época do lançamento da continuação e que trouxe novamente à tona toda a minha angustia, mas que, acima de tudo, trouxe, finalmente, a compreensão.
Katie, ao divulgar o novo livro, como todas as autoras, fez várias postagens e liberou vários teasers, mas acho que nada preparou seus admiradores para a carta que ela publicou. Uma carta de Katie McGarry para Echo e Noah…
“Queridos Echo e Noah,
Eu quero que vocês sejam felizes.
Creio que nunca escrevi palavras mais verdadeiras. Quero tanto a felicidade de vocês, que às vezes chega a doer. Por que isso é tão importante para mim? Porque unam vocês dois e vocês terão a mim.
Não o meu todo, mas algumas partes de mim. As partes que sangram a tanto tempo que eu não tinha certeza de que a cura ainda era possível.
Nós três entendemos o que significa sofrer, perder, afligir-se e ser decepcionado. Nós não conseguimos confiar facilmente e não amamos facilmente, mas quando nós confiamos e quando nós amamos, fazemos isso de forma incondicional e intensamente.
Nós, literalmente, retiramos e damos as roupas de nossos próprios corpos, damos nosso último centavo às pessoas que amamos. Mas a verdade é que, como geralmente somos tão fechados, na maioria das vezes deixamos uma quantidade muito limitada de pessoas aproximarem-se completamente e isso, às vezes, é triste.
Deveria usar “era” em vez de “é”. Era triste, porque estamos nos curando. Nós três estamos. Vocês dois estão aprendendo não apenas como amar e confiar um no outro e como deixar outras pessoas entrarem em suas vidas, mas vocês também estão me ensinando a amar e a confiar além do meu alcance habitual.
Vocês estão me ensinando que há espaço para o perdão. Vocês estão me ensinando que é possível estabelecer limites com algumas pessoas em nossas vidas, mas ainda assim ter um relacionamento com elas. Vocês estão me ensinando que não há problema em pegar toda a paixão que está dentro de mim e deixá-la fluir no mundo.
Vocês dois me fizeram corajosa e me ajudaram a compreender quem eu realmente sou. Vocês me fizeram sentir confortável na minha própria pele e vocês me fizeram ver os talentos que eu sempre minimizei. Vocês me fizeram sentir como uma adolescente de novo com o meu marido e, caramba, meu coração ainda acelera quando ele sorri para mim.
Eu amo vocês dois e quero a felicidade de vocês. Esta é a razão pela qual eu escrevi “Breaking the Rules”. É por isso que eu não poderia deixá-lo ser apenas um conto, mas, no lugar, deixei-o fluir e tornar-se um livro inteiro.
Eu queria a felicidade de vocês. Não, eu EXIGI a felicidade de vocês, e mal posso esperar para que todos saibam como vocês dois encontraram um ao outro.
Amo-os para sempre,
Katie.”
Essa carta me deixou sem palavras… Essa carta não apenas marejou meus olhos, mas fez as lágrimas escaparem… E essa carta trouxe compreensão… Em dois aspectos:
1) Eu, até então, não conseguia compreender como um livro havia tocando tão profunda e intensamente minhas emoções como esse livro o fez. Entretanto, a verdade é que eu senti o que senti, porque por trás de cada palavra, cada sentimento, cada cena, cada história e acontecimento havia emoções e sentimentos genuinamente verdadeiros. Emoções verdadeiras, fortes e honestas de uma autora e que não puderam ser contidas pelas páginas de seu livro. Elas saíram daquelas páginas e apossaram-se das minhas próprias emoções. Existem livros que desejo tão intensamente ler, mas que nunca li, exatamente porque sei que eles farão exatamente isso: se apossarão das minhas próprias emoções e eu ainda não estou preparada para eles. Eu admiro imensamente autores que derramam um pouco de suas próprias almas em suas palavras, porque, por mais que o enredo pareça ser fraco, esse pequeno-grande detalhe transforma a leitura de sua obra em algo completamente inexplicável. Eu admiro a coragem de autores que rasgam seus próprios corações e expõem seus medos e suas imperfeições em um livro, literalmente aberto. Eu os admiro, porque eu os compreendo. Às vezes, como dessa vez, não conseguimos notar isso de imediato e, por isso, não conseguimos compreender a intensidade de suas palavras. Outras vezes, temos a oportunidade de vê-los lutando contra si mesmos. Entre o desejo de colocar para fora e o medo de que alguém os note ali. Um exemplo? Tarryn Fisher. Em absolutamente todos os seus livros, ela tenta se esconder atrás de seus personagens, expondo sua alma e, ao mesmo tempo, mascarando-a. Talvez, exatamente por isso, até hoje não tenha conseguido também colocar em palavras o que seu ultimo livro Mud Vein, lançado no começo de 2014, significou para mim. Eu sempre falo que Mud Vein não é um livro, Mud Vein é uma pessoa, e quase ninguém me compreende. Mas é exatamente isso. Mud Vein é Tarryn Fisher na quantidade máxima que ela já se permitiu revelar. E sendo assim, hoje compreendo que Pushing the Limits não é um livro, mas sim uma pessoa e, por isso, foi difícil entender a razão de ter sido capturada tão intensamente por suas linhas.
2) Muitas vezes sofremos algo chamado negação. Identificamo-nos com algo, mas, por alguma razão, bloqueamos isso. E aí entra o segundo aspecto. Talvez não seja que eu não tenha compreendido o porquê desse livro ter significado tanto para mim. Talvez eu simplesmente tenha silenciado isso dentro de mim, pelo fato de não querer admitir que se vocês unirem Echo, Noah e Katie, vocês terão… a mim! Não o meu todo, mas igualmente algumas partes de mim que sangram até hoje.
(Indico esse livro para aqueles que gostaram de Um Caso Perdido – Colleen Hoover, Mar da Tranquilidade – Katja Millay e Beleza Perdida – Amy Harmon.)

my rating 5 stars

Por Fernanda

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