Resenha: O Pacto – Joe Hill

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#DesafioOutubroDoTerror #Zumbi

Sinopse:
Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Além disso, descobre algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim.

separadorAntes mesmo de a Editora Arqueiro decidir mudar o título e a capa em virtude do filme Amaldiçoados, eu estava ansiosa para ler este thriller de Joe Hill. A história surreal de um cara comum, que depois de uma noitada e uma ressaca daquelas de manhã, aparece em sua testa chifres sem nenhuma explicação.

Sentenciado pelas pessoas da cidade onde mora por um crime que não cometeu, Ignatius “Ig” Perrish terá que viver com o estigma da morte da sua namorada e os tais chifres, que lhe trarão situações incomuns. Quem imaginaria que tais apêndices influenciariam as pessoas a contar seus detalhes mais íntimos e/ou pervertidos?! Vemos aqui, a sacada do autor em aplicar o inimaginável com uma pintada de humor.

Durante todo o livro, sabemos mais sobre a vida de Ig, seu relacionamento com sua família e amigos. A difícil jornada de conviver com pessoas que o culpam pela morte de Merrin e as consequências de conhecer o interior daqueles que lhe conta seus “pecados” (as facetas das pessoas tidas como “normais” hehehehe). Até que o autor, do nada, resolve nos dá um golpe, nos entregando de bandeja o segredo que mais queremos saber: “Quem matou Merrin?” Depois disso, queridos, entramos em uma jornada intimista sobre as personagens e suas vidas.

É a partir daí, que a natureza humana é bem explorada por Joe Hill. O diabo e o deus na sociedade. Vemos acontecimentos que trazem a tona a ambiguidade que cada ser carrega. E também vemos, o mal afligir cada vez mais Ig. Sobre o final, a sensação de dever cumprido se sobrepõe ao cansaço da busca pelo que se acredita ser certo. Chegando ao ponto de se transformar em algo totalmente diferente do que se é, foi ou teria sido. Filosófico, não é? Mas o que faria se passássemos pelo inferno que jamais imaginaríamos? Ou até que ponto somos o próprio diabo ou uma alma torturada por ele?

“O que me deixa obcecado é a ideia de ver alguma coisa que seja real. Acho que as pessoas não sentem metade das coisas que fingem sentir.”

A narrativa foi muito bem proposta. O livro é dividido em cinco partes (Inferno, Cereja, O Sermão de Fogo, O Predestinado e O Evangelho Segundo Mick e Keith), com dez capítulos para cada. Vagando entre o presente e o passado das personagens envolvidas na trama, Hill muitas vezes satiriza o medo do ser humano com o sobrenatural. É notável vê-lo brincar com as acepções comuns sobre o Diabo e o inferno. Não é à toa a escolha dos nomes das personagens e locais para o livro. Um trabalho bem amarrado e fascinante. E um adendo, há linguagem chula e forte (para pessoas sensíveis).
Mas como nem tudo são flores, a leitura não é tão palatável assim. Alguns momentos você tem vontade de largar o livro. Especialmente quanto aos flashbacks… humpf! E dá muita raiva de ver Ig tão ingênuo de acreditar em tudo e todos – dá muita vontade de bater nele mesmo!!! Neste ponto, depois de tantos altos e baixos, você só torce para chegar logo ao fim do livro, principalmente depois de descobrir quem é o assassino de Merrin, a namorada do Ig.

“Só o Diabo ama os homens pelo que eles são e se regozija com os esquemas ardilosos que armam contra eles mesmos, com sua curiosidade despudorada, sua falta de autocontrole, com impulso de quebrar uma regra assim que ouvem falar dela, com sua determinação de renunciar à alma imortal por uma trepada.”

Quando soube do parentesco de Joe Hill com Stephen King senti uma certa apreensão, uma vez que deve pesar escrever sobre um tema tão bem escrito pelo seu pai. Mas não acredito que Hill tenha se saído mal. Ao contrário, o desenvolvimento da história foi boa, concisa e interessante. Os elementos de suspense foram bem colocados, o mesmo para a comicidade que deu um alívio para a tensão do enredo. Acredito que em breve teremos histórias mais perturbadoras de Joe Hill.

4estrelas

Por Camilla Carvalho

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