Resenha: Entrevista com o Vampiro – Anne Rice

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Sinopse:
Este romance começa com um jovem repórter entrevistando Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro por Lestat. Louis conta sua história aos ouvidos atentos do repórter, revelando segredos do mundo dos vampiros.

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Eu não sou fã de vampiros! Lamento informar isso, mas as criaturas da noite não me apetecem. Contudo, isso não prejudicou em nada minha leitura. Ao contrário, até mudou um pouco minha percepção sobre os vamps. A escrita de Anne Rice é convincente e bem informativa. E a forma que ela escreveu Entrevista Com Um Vampiro fez com que o livro tivesse um “plus”, algo não tão enfadonho que esperava destas criaturas sobrenaturais.

” – Como aconteceu?
— Há uma resposta muito simples. Mas não acredito que queira as respostas simples. Acho que desejo contar a verdadeira história…”

É impressionante como uma sinopse pode nos deixar pensativos. E justamente por ser instigante é que resolvi dar uma oportunidade a Anne Rice e o primeiro livro de suas Crônicas Vampirescas. Bem, a autora trouxe uma história muito bem contada na década de 70 sobre a vida de um vampiro. Talvez por isso, seus personagens são tão ricamente descritos e medidos, sendo impossível não suspirar pela delicadeza e assombro dos detalhes que Louis conta sobre sua vida.

“Quando olhava dentro de seus olhos, sentia-me como se estivesse sozinho no fim do mundo… numa praia oceânica batida pelos ventos. Sem nada, alem do rugido macio das ondas.”

O livro é dividido em quatro partes, mas o que o caracteriza a leitura é a entrevista. A consecutividade de diálogos muito bem escalonados que não prejudica de forma alguma o entendimento do leitor. Ao contrário, o estimula a continuar lendo sobre a triste, complicada e solitária vida de Louis.

“— Escute, mantenha os olhos abertos – murmurou Lestat, com os lábios encostados em meu pescoço.
— Lembro-me que o movimento de seus lábios arrepiou todos os cabelos de meu corpo, enviando uma corrente de sensações através de meu corpo que não me pareceu muito diferente do prazer da paixão…”

Ainda é importante destacar os demais personagens que acercam a vida desse vampiro, Lestat, Claudia e Armand. Esses três vampiros terão grande importância na “vitalidade” e estima do nosso personagem principal. Falar deles seria dar muitos spoilers…. hahahaha. Então não se intimide, enfrente o livro e crie sua própria opinião sobre eles.

Mas eu vou ser boazinha! Vou falar de Claudia, porque para mim foi a personagem que mais me impactou. Primeiro por ser tão jovem, segundo por ser usada como uma peça-chave no controle de Lestat e, definitivamente, o pivô de uma crise de convivência entre ele e Louis. Eu fiquei CHOCADA como a autora trabalhou esta “menina”, porque sendo uma vampira, como viver a eternidade presa no corpo de uma criança?

“E eu a via doce e palpável à minha frente, uma criatura frágil e preciosa que logo envelheceria, logo morreria, logo perderia aqueles momentos que, em sua intangibilidade, nos prometem, erradamente… erradamente, uma imortalidade. Como se fosse o nosso próprio direito de nascer, do qual não conseguimos captar o sentido até chegarmos à meia-idade, quando temos pela frente o mesmo número de anos pelo qual já passamos e que já ficaram para trás. Quando cada momento deveria ser o primeiro vivido e assim apreciado.”

Acredito que foi esta premissa que me fez continuar a leitura. Não a questão do certo ou errado (matar ou não matar humanos, no caso). Mas a consciência da eternidade. Quando não se teme a morte na sua condição humana conhecida, o que fazer com a vida imortal? Acredito que Anne Rice quis, de alguma forma, tratar a “treva” mais de forma intrínseca, fazendo com que Louis, um vampiro com mais de 200 anos, tivesse sua consciência humana intacta.

O mix de medo, revolta, paixão, amor, frustração e angústia se perpetuam nas páginas desta obra de Rice, que acabou passando para telona. Como faz muito tempo que vi o filme, vou me recusar de esclarecer alguns pontos dispares. Mas vou salientar que o longa foi feito na década de 90 e, portanto, com uma visão diferente da autora. Talvez por isso que a licença poética atuou neste filme, descaracterizando um pouco o livro.

Ótimo livro. Uma narrativa que me fez pensar sobre o fascínio da humanidade em ser algo eterno. Leitura instigante e de ótima qualidade! Recomendo!!!!

my rating 5 stars

Por Camilla Carvalho

Um pensamento sobre “Resenha: Entrevista com o Vampiro – Anne Rice

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