Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

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Sinopse:
Único romance da britânica Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes, obra que já foi adaptada para cinema, é a história de uma paixão intensa e tempestuosa. Acompanhando a vida de seus protagonistas, os anti-heróis Heathcliff e Catherine, desde pequenos, testemunhamos a força destrutiva do amor.

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Minha Resenha:
Escolhi O Morro dos Ventos Uivantes por conta do Desafio de Leitura que ainda estou tentando terminar (sim, 10 livros para o fim!!! Ahhhhhh…). Um dos itens de lá é a escolha de um livro que tenha recebido críticas negativas. Heathcliff e sua obsessão merecia uma releitura e coube perfeitamente nesta escolha.

“E você supõe que ela me haja quase esquecido? Oh, Nelly! Sabe muito bem que isso não é verdade! Sabe, tão bem quanto eu, que por um pensamento que ela gasta com Linton, gasta mil comigo! No período mais desgraçado da minha vida assaltava-me esse medo: medo que me acompanhou quando vim para cá, no verão passado. Agora, só a palavra dela pode me fazer admitir de novo essa horrorosa ideia. E então Linton já não representaria mais nada, nem Hindley, nem todos os sonhos que eu já sonhei. Duas únicas palavras seriam a suma do meu futuro: morte e inferno. A vida, depois de a perder, seria o inferno.” (Heathcliff)

Não é fácil dar a opinião sobre um clássico britânico. Especialmente sobre uma obra incompreendida como esta. Até eu mesma caí na inconstância da escrita de Emily Brontë. Por mais que seja gritante a ideia de obsessão difundida no livro, a instabilidade das emoções foi muito bem traçada pela autora, a ponto de sermos guiados pela loucura e insensatez de Heathcliff e a volatilidade e frescor de Catherine.

“Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu ‘sou’ Heathcliff. Ele está sempre, sempre, no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria. Portanto, não voltes a falar na nossa separação, pois é algo de impraticável (…).” (Cathy)

Calma, nada é tão simples assim. Este livro me dividiu muito. Uma hora, eu queria simplesmente abandona-lo e deixar para trás. Outra, queria apenas me concentrar para chegar logo ao capítulo seguinte. Há muita tensão, ódio, amargura e amor. Quando dizem que há uma linha tênue entre amor e ódio, O Morro dos Ventos Uivantes deveria ser o significado disso. (risos) A história clássica de amor inocente e brando cai por terra na eterna briga entre o rancor e o afeto.
A primeira vez que li estava no colégio, começando o ensino médio (científico na época). Recordo que achei muito maçante e estúpido a forma como o amor foi descartado, sendo rasgado pela hostilidade das personagens em virtude da classe social e sua origem. Heathcliff, para mim, conseguiu a maioria do que quis, exceto o amor de sua segunda paixão na vida: Cathy. A primeira paixão? Sua raiva pela família Earnshaw e, depois, Linton, é claro.

“Pois não foi a miséria, nem a degradação; nem a morte, nem algo que Deus ou Satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que te despedacei o coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também.” (Heathcliff)

Mas o incompreendido personagem me mostrou mais de sua faceta nesta recente leitura.
Algo que as entrelinhas são capazes de nos fazer ler. Sua animosidade foi alimentada aos poucos, sua defesa era a resposta ríspida e afiada, e sua principal arma era o ódio. A certeza que Heathcliff foi criado para odiar foi algo que me fez sentar por um tempinho e assimilar essa minha certeza. E vou além, a docilidade de Cathy como contraponto é o disfarce para mais uma vez esse personagem ser confrontado.

“Os meus grandes desgostos neste mundo, foram os desgostos de Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e, se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria, para mim, uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer.” (Cathy)

Não é a toa que quando se instaura o triângulo amoroso, com Edgar Linton este como a epítome de herói, Cathy deve escolher entre o bem-afortunado e a paixão por Heathcliff. O final de tudo isso? A redenção da loucura e o infortúnio dos enamorados vingam-se em uma trama bem medida e sem pretensão de enganar em nenhum momento. Por isso, Emily Brontë consegue ainda confrontar a nossa sede pelo “felizes para sempre”.

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Por Camilla Carvalho

Um pensamento sobre “Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

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