Crítica Dupla: O Quarto de Jack e Mad Max: Estrada da Fúria

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E agora mais dois indicados a Melhor Filme do Oscar 2016!

3. O Quarto de Jack (Room)
Distribuidora: Universal Pictures

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Sinopse:
Joy (BrieLarson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) vivem isolados em um quarto. O único contato que ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica do Velho Nick (Sean Bridgers), que os mantém em cativeiro. Joy faz o possível para tornar suportável a vida no local, mas não vê a hora de deixá-lo. Para tanto, elabora um plano em que, com a ajuda do filho, poderá enganar Nick e retornar à realidade.

Crítica:
O quarto de Jack, baseado no romance homônimo de Emma Donoghue, é um filme absolutamente impressionante em tantos aspectos, que tornam justíssimas suas indicações as premiações mais relevantes do cinema e merece sua atenção!

Como já indica a sinopse (e não indico a ninguém assistir ao trailer oficial), Jack vive confinado em um quarto com sua mãe e diante da situação de confinamento insustentável, elaboram um plano de fuga em que Jack é peça fundamental para sua realização. Só que Jack só conheceu em sua vida o Quarto e os poucos e surrados móveis que estão nele. Sua única “janela” é a televisão, e, só com a ajuda de sua mãe Jack consegue distinguir o que é real e o que não é “no lado de fora” ou o “mundo”.

Assim, somos apresentados a um “mundo” pequeno e degradante que para Jack, ao contrário, é visto como um lugar cheio de espaço e possibilidades, gerando ao menino, uma angústia muito grande diante da possibilidade de sair dele. Ao mesmo tempo, Jack possui uma coragem genuína e tocante que o leva a encarar sua jornada de forma destemida, por amor a sua mãe e pela curiosidade de conhecer o que está por vir.

Ocorre que, paradoxalmente, a saída do cativeiro gera outros problemas, não apenas a Jack, que é apresentado a outras pessoas, objetos, alimentos, tudo de uma vez, mas para Joy, a mãe, que após anos de confinamento, encontra um mundo que não é aquele que ela deixou anos atrás, E eis que a liberdade acaba por se revelar uma nova forma de confinamento.

As atuações de deste filme são primorosas, e parece impossível não se afeiçoar a Jack (Jacob Tremblay), que merecia uma indicação por sua atuação sensível e ao mesmo tempo contundente, que faria inveja a muita gente grande. Brie Larson também faz um trabalho incrível de atuação, alternando força e fragilidade tocantes, assim como todos deste elenco parecem muito coesos neste projeto.

Retratar a história sob a perspectiva de uma criança de cinco anos e suas impressões sobre o mundo que vive no Quarto e fora dele, a forma como seu raciocínio funciona e processa tudo que ocorre em sua volta, e, mais especialmente, como o menino e sua mãe sentem-se diante de mudanças que ocorrem no decorrer da trama, não é uma tarefa fácil. Seu diretor, Lenny Abrahamson, entretanto, executa este projeto audacioso com maestria, alterando estilos de captação de imagem e enquadramentos, dando ao espectador diferentes percepções de espaço (maiores ou menores), bem como conduz a história e seus atores de maneira exemplar.

E assim, O quarto de Jack também nos apresenta uma belíssima analogia sobre o processo de crescimento, com suas dores, seus medos do desconhecido e da certeza, uma vez que superados, não há volta.

Um filme verdadeiramente belíssimo.

my rating 5 stars

4. Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road)
Distribuidora: Warner Bros.

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Sinopse:
Após ser capturado por Immortan Joe, um guerreiro das estradas chamado Max (Tom Hardy) se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) na tentativa se salvar um grupo de garotas. Também tentando fugir, Max aceita ajudar Furiosa em sua luta contra Joe e se vê dividido entre mais uma vez seguir sozinho seu caminho ou ficar com o grupo.

Crítica:
Eu, como cria dos anos 80, sonhei por muitos anos com sequência de Mad Max, apesar do grande mal que acomete a estes filmes que sempre acabam sendo uma sombra de seus antecessores. A medida que o tempo passou (e Mel Gibson começou a mostrar os sinais da idade) e as dificuldades de se filmar na Austrália, a ideia pareceu totalmente descartada, o que não parecia tão ruim, considerando o “crime” cometido em Indiana Jones e a caveira de cristal.

Como nem só de más notícias vive o mundo das sequências, eis que senhor George Miller (diretor dos filmes anteriores e – PASME – Baby, o porquinho atrapalhado) com seus métodos mais tradicionais de filmagem e efeitos, surge com uma overdose sensorial alucinante. Em que pese o filme não possuir exatamente um roteiro elaborado, o filme diverte e inebria pelo visual árido e pelo ritmo da narrativa e exibição das cenas com momentos mais acelerados e outros em velocidade normal. Se bem que “normal” não é uma palavra que se aplique a este filme.

A medida que o filme se desenrola, vamos descobrindo personagens alucinados, desesperados e incansáveis na tentativa de vencer mais um obstáculo, que acabam unindo-se de forma inesperada a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron) para salvar um grupo de garotas. Mesmo que Max queira apenas seguir seu caminho, acaba entrando em uma perseguição insana em busca de uma terra de oportunidades para todas. E neste ambiente inóspito, há espaço pra muita ação, cenas inacreditáveis, humor e até romance (!). E mesmo que não pareça ser um forte candidato ao prêmio de Melhor Filme, é forte candidato a prêmios técnicos e a comprovação do ditado que diz que “cachorros velhos podem aprender truques novos”, pois George Miller oferece a seus fãs um filme tão bom quanto seus antecessores que não deixa espaço para decepção!

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Por Silvia Lima

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