Crítica Dupla: Brooklyn e Spotlight – Segredos Revelados

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Hoje terminamos as críticas dos Indicados ao Melhor Filme do Oscar 2016. E não se esqueça, a ceremônia da entrega das estatuetas douradas será transmitida ao vivo pelos canais TNT (a cabo) e Globo (aberta) no próximo domingo, dia 28. O comando da apresentação será feito por Chris Rock. Imperdível!

7. Brooklin
Distribuidora: Paris Filmes

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Sinopse:
A jovem irlandesa Ellis Lacey (Saoirse Ronan) se muda de sua terra natal e vai morar em Brooklyn para tentar realizar seus sonhos. No início de sua jornada nos Estados Unidos, ela sente falta de sua casa, mas ela vai tentando se ajustar aos poucos até que conhece e se apaixona por Tony (Emory Cohen), um bombeiro italiano. Logo, ela se encontra dividida entre dois países, entre o amor e o dever.

Crítica:
Se existe um filme desta seleção a ser indicado para leitoras como nós, este é Brooklyn. Sensível, delicado, encantador, a história aparentemente simples de Ellis consegue ser além de um retrato comovente de uma época, é também uma bela mensagem de otimismo e crescimento pessoal.

Ellis é uma menina trabalhadora e sem oportunidades que ao ser convidada para morar nos Estados Unidos a única chance de sair do emprego medíocre com a “pior chefe do mundo” (acreditem, ela é…) mesmo que isso acabe gerando uma tristeza imensa pelo afastamento de sua mãe e irmã. Com o tempo,oportunidades e o amor surgem, deixando a vida de Ellis realmente feliz, até que a vida se encarrega de deixar a personagem na encruzilhada de retornar a vida que tinha ou seguir em frente.

Como boa parte dos filmes de época, há um cuidado evidente na ambientação e figurinos, dando sempre uma aura esteticamente perfeita, mas este filme também destaca-se no cuidado de também mostrar ambientes modestos, figurinos repetidos que afirmam que aqueles personagens, apesar de poucos recursos, mantém um alinhamento e zelo por sua aparência.

Os personagens são muito bem construídos e representados, com um trabalho muito bem executado em especial por seu casal principal, em que ela irlandesa e ele italiano mostram um belo contraponto cultural sem a utilização dos estereótipos clássicos de cada cultura.
Mesmo que seja pouco cotado para a estatueta de Melhor filme, ele é capaz de ganhar seu coração com delicadeza, o que já é um grande prêmio!

8. Spotlight – Segredos Revelados (Spotlight)
Distribuidora: Sony Pictures

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Sinopse:
Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso.

Crítica:
Filmes baseados em situações reais muitas vezes são boas alternativas para nos inspirar, mas Spotlight – Segredos Revelados trouxe o lado negro de um fato. A narrativa aqui é sobre a busca de um furo de reportagem, em que uma equipe de jornalistas afiados corre para investigar e divulgar os fatos sobre o acobertamento de casos de crianças molestados por padres e de conhecimento da Igreja. Contudo, tendo a cidade de Boston de 2001 como pano de fundo, falar sobre padres molestadores de criança é um desafio a parte, isso por se tratar de uma cidade de maior concentração católica nos EUA.

O filme traz um elenco de primeira. Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Brian d’Arcy James, Stanley Tucci, John Slattery e Live Schreiber. O enredo traz uma apologia ao jornalismo investigativo sério, que enfrenta as adversidades para conseguir apurar as informações, mas sempre levando em conta a seriedade e a ética para com seus leitores e a sociedade. Contudo, como uma moeda, a corrida pela apuração da verdade tem mais de uma face, que nem sempre é aquela que estamos preparados para lidar.

Ainda sobre o mérito da narrativa, é chocante ver como os fatos vão chegando. É como um quebra-cabeça, em que cada peça solta vai encontrando sua parceira, mas que infelizmente a montagem foi iniciada pelo núcleo, por isso o preço da demora.

Sobre a direção, só tenho a agradecer a Tom McCarthy por ter definido planos abertos para que a história fosse contada de forma direta, sem subterfúgios e filmado de forma clássica. Aqui a trama é a estrela, além dos diálogos bem delineados e da construção do clímax, que evolui fluidamente (mesma situação ocorrida em A Grande Aposta, leia a resenha aqui). A fotografia é polida e direta. Uma ambientação bem explícita de 2001.

Este também é meu favorito para o Oscar este ano. Pois, além de permitir que você participe de uma pauta de uma redação, traz a tensão de um jogo político, de quem possui o poder e sabe muito bem a quem recorrer e silenciar.

Por Silvia Lima e Camilla Carvalho.

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