Resenha: A Oportunista – Tarryn Fisher

TO TF

Título: A Oportunista
Autora: Tarryn Fisher
Páginas: 256
Editora: Faro Editorial

Sinopse: A busca pelo grande amor pode te levar longe demais…Olivia acredita ter encontrado o grande amor da sua vida. Mas, por conta de alguns desencontros, o perdeu. No entanto, certo dia, ela reencontra o ex-namorado, Caleb Drake, e descobre que ele perdeu a memória. Eis uma nova chance! Até descobrir que outra mulher já o encontrou. Será uma nova oportunidade para ser feliz ou um jogo que a faz acreditar que seus sentimentos são especiais? Para encobrir as consequências de suas mentiras, Olivia cria uma teia de novos eventos, o que pode levá-la a descobrir que sua busca pelo amor talvez a tenha feito ultrapassar limites muito perigosos. Um triângulo amoroso muito diferente do que você já viu!

OBSERVAÇÃO: Esta resenha, ou melhor, este desabafo foi escrito em 2013, quando li A Oportunista (The Opportunist) em inglês. Foi, na verdade, minha primeira tentativa de resenhar alguma coisa, porque simplesmente precisava extravasar todas as emoções que se agitavam dentro de mim. Então, desde já, peço desculpas pela resenha não tão resenha assim. Além disso, ontem recebi meu exemplar em português do livro, publicado pela Faro Editorial. À primeira vista já posso dizer que o trabalho de diagramação está lindo, e o acabamento do livro está de altíssima qualidade, o que não me surpreendeu, uma vez que essa foi uma das gratas surpresas que tive na Bienal do Livro de 2015, quando tive meu primeiro contato com os livros por eles publicados: a Faro preza pela qualidade de seu material. Essa semana pretendo reler o livro, e prometo voltar para dar minha opinião sobre o trabalho de tradução. Por enquanto, fiquem com minhas impressões sobre este livro que sem dúvida alguma está entre meus livros favoritos de toda a vida! 😉

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#‎DicaDaVez
Dica e desabafo GIGANTE da vez!

“Você entrega seu coração apenas uma vez e, depois disso, todo o resto irá perseguir seu primeiro amor.” – Olivia (tradução livre)

Então… A Oportunista de Tarryn Fisher… Maldita Tarryn Fisher!

Este livro caiu de paraquedas na minha mão, mas não foi sua alta qualificação no Amazon e Goodreads que me chamou a atenção para ele, mas sim o fato de que essas qualificações vinham dos mais conhecidos blogs literários internacionais e de uma infinidade de escritoras conhecidas como J. A. Redmerski, Colleen Hoover e S. C. Stephens (essa devia aprender alguma coisa com este livro! ‪#‎ProntoFalei). Ao clicar em comprar e ao ler a primeira página, mal sabia eu no que estava me metendo e no que minha vida estava prestes a se transformar.

A expressão MINDFUCKING é muito utilizada para descrever os livros que simplesmente FERRAM COM A CABEÇA DA GENTE!  A Oportunista transformou minha vida em uma montanha-russa de emoções, e ferrou, de fato, com minha mente e meu coração.

Mas, antes, vamos primeiro a sinopse (original):

“Olivia Kaspen acaba de descobrir que seu ex-namorado, Caleb Drake, perdeu a memória. Com uma já péssima reputação de tirar vantagem de situações, Olivia deve decidir o quão longe ela está disposta a ir para conseguir Caleb de volta. Lutando para manter a sua verdadeira identidade e seu passado sórdido em segredo, o maior obstáculo de Olivia é a perversa nova namorada de Caleb, Leah Smith. É uma corrida em direção a linha de chegada, quando estas duas víboras se envolvem em uma guerra imoral para possuir um homem que já não se lembra delas. Mas, em breve, Olivia tem que enfrentar as consequências de suas mentiras, e no processo descobrir que às vezes o amor está aquém da redenção.” (Tradução livre)

Então, sim senhoras e senhores, nós estamos diante de DUAS víboras! Aqui está a prova de que meu problema não são mocinhas inescrupulosas (meu problema são personagens mal construídos, que se fazem de sonsos ou que são burros mesmo! ‪#‎ProntoFaleiDeNovo). Na verdade, todos os personagens deste livro estão longe de serem perfeitos. Preparem-se para um livro com personagens que fogem do padrão literário a que estamos acostumados, e talvez até mesmo saturados.

De um lado, temos uma heroína que é uma víbora oportunista. Passei o livro inteiro me questionando: Por que, Olivia? Por que você está fazendo isso? Mas passei o mesmo tempo torcendo absurdamente para ela. Lógico que a antagonista da história tende a ser ainda pior (se é que isso é lá possível), mas sério… Olivia não tem limite no quesito mentiras, dissimulações, trapaças e desonestidade. Ela realmente é uma oportunista, mas sabem de uma coisa? Eu AMEIIIIIIIIIIIIIIIII Olivia, ok? Achei fantástico me deparar com uma protagonista cheia de falhas, que fez e continuava fazendo coisas imperdoáveis e, mesmo assim, me sentir uma líder de torcida com pompons e tudo mais gritando: VAI OLIVIA! VAIIIIIIIIIIIIIIIIII!!! A diferença? Ela assume para ela mesma que não vale nada (ok… em determinados momentos ela é apenas melodramática, mas eu NÃO LIGO!!! E, no fundo no fundo, isso é apenas reflexo de uma pessoa que tem sérios problemas emocionais e que não conseguiu descobrir quem ela é ou enxergar que ela é alguém além do exemplo familiar que teve). Além disso, a forma como a autora narra e a descreve é de tirar o chapéu. Palmas para Tarryn Fisher que nos faz verdadeiramente amar e torcer por uma heroína inescrupulosa. Em todas as decisões e ações de Olivia, eu pensava: Miga sua louca, o que você está fazendo? Ou… Ok Olivia! Vamos lá! Fecha os olhos Fernanda, segura na mão de Deus e vai na esperança de que não vai dar merda e, se der, bom… a gente pensa no que fazer depois!!!

“Eu dei um passo adiante, porque se lembre, eu jogo sujo.” – Olivia (tradução livre)

De outro lado temos Leah, a víbora que ainda por cima faz o papel de antagonista, então vocês podem imaginar a peça rara (ok… de novo… em determinado momento até tirei o chapéu para ela, não para a forma como ela agiu, mas para a determinação dela de não entregar o prêmio de mão beijada e tão facilmente assim. Quem quiser que venha e encare o furacão ruivo!)

Já Caleb… o que dizer de Caleb. Eu meio que me apaixonei de cara por ele. Até eu mesma me desentendi, mas acho que foi a combinação da forma como a autora o descreve, não fisicamente, mas seus trejeitos, como a forma como ele sorri, a forma como ele provoca Olivia (ADOOOOORO isso!), e para arrematar ele tem sotaque britânico. Como não amar? Além disso, o livro alterna entre presente e passado e a narrativa do namoro dele com Olivia e do segundo encontro dos dois me deixaram com inveja, confesso, e querendo um namorado igual. Todavia, Caleb também está longe de ser perfeito. Caleb é um oportunista a sua própria maneira. Claro que algumas de suas falhas, erros e escolhas, apesar de terem me deixado de boca aberta, são compreensíveis e aceitáveis, mas outros são mais comparáveis aos de Olivia e de um cretino safado. Então é meio: vou fingir que não li isso ou que MERDA CALEB!!! Até mesmo em algumas provocações dele, que eu tanto gosto. Fala sério! Como não esperar que a Olivia reaja da forma como ela reagiu se é assim que ela se defende e você SABE disso? Bem isso… Principalmente depois que o trem perde o rumo de vez. Realmente tiveram momentos em que queria enfiar a mão na cara dele, porque sério?

Nem mesmo a melhor amiga da Olivia, Cammie, escapa de suas próprias loucuras, mas que arrancam mais gargalhadas do que propriamente um julgamento mais severo. Mas ninguém, absolutamente ninguém, escapa de uma ou outra escorregada no quesito moralidade. Exceto Noah, talvez!? Eu não duvido de nada, principalmente porque no meio de tanto personagem falho ele surge do nada com sua enxurrada de bom senso, que, por sinal, VEIO NA HORA ERRADA… ou não!

E é nesse ritmo de contradições que Tarryn nos leva em sua narrativa. Narrativa tão real, crua, audaciosa, desprovida de medo e, quem sabe, moral, que desperta em nós um turbilhão de emoções das quais custamos a tomar novamente as rédeas. O errado vira certo, o certo errado, o que a gente deseja profundamente pode não ser o ideal, ou até mesmo imoral, o ideal pode ser o inaceitável, o final pode ser devastador ou o mais coerente possível. Torci muito pelo errado e chorei com o certo.

Infelizmente, por um descuido meu, acabei descobrindo o desfecho do livro antes; e aí vocês me perguntam: mas já sabendo o desfecho, o livro não perdeu um pouco da emoção? E eu lhes respondo: NÃO! Além do livro ser uma montanha-russa na qual você perde completamente seus parâmetros morais, perdida no meio do livro tem uma parte que é narrada em terceira pessoa (o livro é narrado por Olivia) e quando eu me deparei com essa parte, eu fiquei: Oiiiiiiiiiiiii? Li isso certo? Aí reli, treli, olhei para um lado, depois para o outro para saber se tinha alguém ali que podia ter lido o mesmo que eu e que pudesse me ajudar; olhei para cima na esperança de uma inspiração divina vinda dos céus que me fizesse compreender o que eu tinha acabado de ler, porque o que eu tinha acabado de ler NÃO FAZIA SENTIDO DIANTE DO FINAL QUE EU SABIA QUE IA ENCONTRAR e eu NÃO ESTAVA PREPARADA PARA ISSO… SIMPLESMENTE NÃO ESTAVA (até que pensei rapidamente sobre algo parecido em determinada cena, mas bem bem bem aquém do que realmente acontece). E daí para a frente o trem fica desgovernado de vez!!! O trem descarrila, os ânimos exaltam, o ódio instala, a culpa corrói, a loucura impera, a esperança toma conta, o bom senso aparece, o coração dispara de emoção e o final chega… e eu fiquei bem uma hora olhando para a tela do Kindle tentando entender o que acabou de acontecer e se eu estava de acordo com tudo aquilo ou não!

Porém, não se enganem. Com uma história composta por personagens falhos, imperfeitos, e por um grande misto de emoções exacerbadas e valores questionáveis, este livro no fundo trata sobre a realidade nua e crua de que não somos perfeitos e de que nossas vidas são feitas de escolhas, às vezes grandes, outras pequenas, importantes, insignificantes, boas ou terrivelmente péssimas; e cada escolha vem acompanhada de inúmeras consequências que teremos que encarar, mais cedo ou mais tarde.

Este livro transformou minha vida de leitora, e abriu meus olhos para várias questões e faces do ser humano. Do que somos capazes? E vale tudo nesse jogo de viver? Estamos preparados para lidar com as consequências de nossos atos e omissões?

Maldito livro…
Maldita Tarryn Fisher…
Maldita Olivia…
Maldito Caleb…
Maldita Leah…
Maldito Noah…

Eu ODEIO ter AMADO esse livro… e eu AMO ODIÁ-LO!!! Tô falando que ele ferrou com a minha cabeça! E eu geralmente deixo livros assim em uma lista negra da qual eles NUNCA sairão, mas Tarryn Fisher com suas palavras e emoções exacerbadas tiraram este livro à força dessa lista, e o levou direto para minha lista de favoritos.

Interessaram-se? Então… Boa leitura! Boa sorte! Espero que ele possa gerar todas essas emoções e questionamentos em vocês. Que ele possa ferrar com a cabeça de vocês!? Que ele ao menos possa entretê-los por algumas horas. Mas que, no final, seus corações consigam sair inteiros dessa leitura… O meu permanece firme e forte… Os remendos dele, quero dizer. 😉

To TF

Por Fernanda Aragão

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2 pensamentos sobre “Resenha: A Oportunista – Tarryn Fisher

  1. Uau!! Estava ontem a ler a sinopse e pensei “bora lá ler uma resenha para saber mais do livro” e hoje deparo-me com isto… Fiquei super curiosa para ler. Que resenha incrível, sério!! 😲 Mas ao mesmo tempo, não sei se leio já, porque tenho medo de me desiludir depois desta expectativa toda. Normalmente são todos bonzinhos e quase perfeitos…

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