Crítica: Série – The Paradise

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The Paradise – Season 1
Primeiras impressões (episódios 1 a 3)
Disponível no Netflix

Sinopse:

The Paradise conta a história de Denise, uma jovem que muda-se para uma cidade do noroeste de Inglaterra em 1870 com a esperança de que o seu tio lhe dê trabalho na loja que gerencia. No entanto, ao chegar apercebe-se que este e outros pequenos negócios estão perto da ruína após a abertura dos grandes armazéns “The Paradise” e é neste maravilhoso estabelecimento onde acaba por encontrar emprego. A sua simpatia e a sua inata capacidade para as vendas acabam por chamar a atenção de Moray, o jovem dono do negócio que depende financeiramente do Senhor Glendenning, cuja filha Katherine está decidida a casar-se com Moray.

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Opinião:
Netflix tem dessas coisas: você está atrasadíssima com suas séries e filmes e o site disponibiliza mais material para garantir que sua lista nunca fique em dia…. Ao olhar os itens recentemente disponibilizados, fui atraída imediatamente por “The Paradise” e não teria como ser diferente… Uma série ambientada na Era Vitoriana, com duas temporadas já disponíveis? Como resistir?

As fãs de livros de época precisam conhecer esta série, baseada num livro francês “Au Bonheur des Dames” (O Paraíso das Damas) do escritor Émile Zola.

“The Paradise” foi exibida originalmente pela BBC nos anos de 2012/2013 e mesmo com sua qualidade dramática e uma intensa campanha de seus fãs para que fosse renovada, a série sucumbiu diante de dois oponentes de peso: Downton Abbey e Mr. Selfridge.

Ironicamente, a série trata de uma loja de departamentos cujo proprietário busca incansavelmente pelo sucesso e fortuna, mesmo que isso acarrete na falência de comerciantes menores. Mas The Paradise tem muito mais a oferecer…

A série conta a história de Denise Lovett (Joanna Vanderham), que chega do interior para viver com seu tio alfaiate. Ao chegar, descobre que este está em ruína uma vez que seu pequeno comércio não consegue resistir aos grandes comércios, não restando alternativas a Denise que trabalhar no estabelecimento rival ao do tio, “The Paradise”, uma loja de departamentos idealizada e gerida pelo Sr. John Moray (Emun Elliot), que apesar de seu sucesso, precisa conquistar uma clientela nobre, cujos honoríficos não admitem adquirir produtos não exclusivos ou que tenham sido experimentados por pessoas ditas “inferiores”.

Assim, surge a ideia de uma grande liquidação a fim de atrair muitos compradores de prestígio, o que traria a Moray a oportunidade de conseguir empréstimos junto aos bancos que até o momento, ignoram seus pedidos. Algo como uma “black friday vitoriana” (risos)! E isso acaba por impulsionar outros eventos que se desenvolvem durante a trama.

Denise, encantada com o senso empreendedor e audácia de Moray, acaba por oferecer ao chefe novas idéias para ajudá-lo a conquistar seu objetivo, o que gera inveja e intrigas de outras funcionárias, uma vez que Moray é um homem inatingível, mas muito disposto a ouvir a nova funcionária.

Jovem viúvo, ele é alvo da admiração e paixão de várias mulheres, em especial Katherine Glendenning, filha de um banqueiro, cujo “objetivo” é casar-se com o burguês. Ocorre que Moray não se mostra disposto a tomar tal passo, mesmo que seja um caminho mais rápido para os desejados empréstimos, alegando para tal motivos de ordem profissional, pois ele acredita que em não sendo comprometido, pode flertar com as clientes sem gerar constrangimentos. As circunstâncias não ainda abordadas sobre a morte da esposa também o impedem de seguir emocionalmente em frente. Entretanto, já percebe-se que o encanto por Denise passa por outras razões além das profissionais….

Desta forma, a série aborda com habilidade e precisão sutil vários problemas da sociedade da época, com destaque especial para os conflitos de classe e as dificuldades de uma mulher no período. Se as jovens da nobreza sonham com casamento, pois pouco resta as mesmas, as mulheres que ingressam no mercado de trabalho tem de abdicar de tal sonho, uma vez que ser esposa e ter uma atividade profissional parece algo inconcebível. Como diria uma personagem em certo momento, só cabe as mulheres terem “mãos dispostas e mentes vazias”, mostrando-se sempre disponíveis a fazer o que é necessário, sem pensar ou refletir sobre isso.

Para balançar este panorama, há Denise, com suas ideias inovadoras e encanto pelo luxo e beleza que vende, declara não querer o patrão, mas ser o mesmo. Ser o chefe de saias, ela com certeza já é, agora resta saber se o fascínio pelo patrão permanecerá apenas desta forma… Assim, The Paradise me cativou totalmente e acredito que a vocês também! Assistam!

Por Silvia Lima

16 pensamentos sobre “Crítica: Série – The Paradise

  1. Amei essa série, dói meu coração em pensar que não há mais temporadas. Creio que com o sucesso que deverá fazer no netflix e com o fim de downtown ( <3), poderiam repensar e ao menos fazer mais uma temporada decente. E acredita que já li gente dizendo que parcela de culpa foi na escalação do Emun Elliott, devido à língua presa, um ator tão bom!

    Curtido por 1 pessoa

  2. A série é muito legal, comecei ontem e não consigo parar de assistir. Adoro filmes e seriados de época e ainda por cima sobre vendas e ideias de marketing…fechou!!! Curti demais!!

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