Leia um trecho de ‘O Erro’ de Elle Kennedy, lançamento da Editora Paralela

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Que esta é uma das nossas séries favoritas nem precisamos falar (você pode conferir a nossa resenha aqui), então quando foi anunciado o lançamento de ‘O Erro’, segundo livro da série Amores Improváveis da autora Elle Kennedy fizemos aquela dancinha da felicidade. Confira então agora um trecho do livro que foi disponibilizado pela Editora Paralela em sua Newsletter: 

Quinze minutos depois, estou no corredor do andar de cima da Fairview House, e o lugar está tão quieto que fico ainda mais deprimido. Merda. Acho que o supervisor é mesmo um general. Não ouço um pio em nenhum dos quartos, nem posso ligar para Danny para saber se a festa foi cancelada, porque, na pressa de fugir de casa, esqueci o celular.
Nunca vim ao quarto de Danny antes, então fico no corredor um instante, tentando lembrar o número que ele escreveu na mensagem hoje mais cedo: duzentos e vinte? Ou duzentos e trinta? Passo devagar por cada uma das portas, e meu dilema se resolve quando percebo que nem existe um quarto duzentos e trinta.
Então só pode ser duzentos e vinte.
Bato à porta. Ouço passos quase que imediatamente. Pelo menos tem alguém em casa. Bom sinal.
Então a porta se abre e me vejo fitando uma completa estranha. Uma estranha muito bonita, mas, ainda assim, uma estranha.
A menina pisca ao me ver, surpresa. Os olhos castanho-claros são do mesmo tom do cabelo, preso numa trança comprida jogada por cima do ombro. Ela está de calça xadrez de pijama e com um moletom preto com o logotipo da universidade. Pelo silêncio absoluto no cômodo, está na cara que bati à porta errada.
“Oi”, digo sem jeito. “Então… é… Acho que este não é o quarto do Danny, né?”
“Hum, não.”
“Merda.” Aperto os lábios. “Ele falou duzentos e vinte.”
“Um de vocês se confundiu.” Ela faz uma pausa. “Não tem nenhum Danny neste andar. Ele é do primeiro ano?”
“Terceiro.”
“Ah. Então ele não mora neste prédio. Aqui só tem calouros.” Ela brinca com a ponta da trança enquanto fala, sem me fitar nos olhos.
“Merda”, murmuro de novo.
“Tem certeza de que ele falou que morava na Fairview House?”
Fico na dúvida. Eu tinha certeza, mas agora… nem tanto. Danny e eu não saímos muito, pelo menos não sozinhos. Em geral, esbarro com ele nas festas depois dos jogos, ou ele aparece em casa com os caras do time.
“Não tenho a menor ideia”, respondo, com um suspiro.
“Por que não liga para ele?” Ela continua evitando meu olhar. Agora está fitando as meias de lã como se fossem a coisa mais fascinante que já viu.
“Esqueci o telefone em casa.” Droga. Enquanto avalio minhas opções, corro a mão pelo cabelo. Está crescendo, preciso desesperadamente raspar, mas sempre esqueço. “Posso usar o seu?”
“Hum… pode.”
Embora pareça hesitante, ela abre a porta um pouco mais e me convida a entrar. Seu quarto é a típica acomodação dupla, com tudo em dobro, mas, enquanto um lado é todo organizado, o outro é a central da bagunça. Está na cara que essa menina e sua companheira de quarto têm opiniões muito diferentes sobre arrumação.
Por alguma razão, não me surpreendo quando ela caminha na direção do lado arrumado. A garota tem cara de organizada. Ela vai até a mesa, desconecta um celular do carregador e me oferece. “Pode usar.”
No instante em que o telefone troca de mãos, a garota se afasta em direção à porta.
“Não precisa ficar assim tão longe”, digo, secamente. “A menos que esteja se preparando para fugir.”
Suas bochechas ficam cor-de-rosa.
Sorrindo, passo o dedo na tela do telefone. “Não esquenta. Vou só usar o telefone. Não vim matar você.”
“Ah, eu sei. Ou pelo menos acho”, balbucia ela. “Quer dizer, você parece normal, mas, até aí, muitos assassinos em série também parecem. Sabia que Ted Bundy era muito bonito?” Ela arregala os olhos. “Já pensou que maluquice? Você está andando por aí, conhece um cara lindo e fica toda ‘Ai, meu Deus, ele é perfeito’. Então vai até a casa dele e encontra um altar no porão com roupas feitas de pele humana e bonecas Barbie com os olhos arrancados e…”
“Nossa”, interrompo. “Alguém já disse que você fala muito?”
Suas bochechas ficam ainda mais coradas. “Desculpa. Fico meio tagarela quando estou nervosa.”
Abro outro sorriso. “Eu deixo você nervosa?”
“Não. Bom, talvez um pouco. Quer dizer, não conheço você e… sabe como é, ‘nunca fale com estranhos’ e coisa e tal. Mas tenho certeza de que você não é perigoso”, ela acrescenta, depressa. “Mas você sabe…”
“Sei. Ted Bundy”, resumo, fazendo força para não rir.
Ela volta a brincar com a trança, e o fato de ter desviado o olhar me dá a oportunidade de estudá-la mais atentamente. Cara, ela é muito bonita.

[…]

É mais de meia-noite e, até agora, nenhuma resposta de Grace. Já mandei três mensagens. Agora, estou deitado na cama por cima do cobertor, olhando para o teto e lutando bravamente contra a vontade de mandar uma quarta.
Três mensagens beira o desespero.
Quatro seria simplesmente patético.
Droga, queria que ela respondesse. Ou ligasse. Ou fizesse alguma coisa. A essa altura, ficaria radiante se um pombo-correio batesse com o bico na minha janela e me entregasse uma carta escrita à mão em caligrafia impecável.
Ela não vai ligar, cara. Aceita isso.
É, acho que não. Estraguei tudo mesmo. E acho que mereço.
Não sei como não estou sentindo dores aleatórias e pontadas pelo corpo. Sabe como é, das agulhas que Grace está enfiando num boneco de vodu com a minha cara.
Meu telefone vibra, e eu me jogo na direção da mesinha de cabeceira feito um atleta olímpico. Ela respondeu! Ainda bem. Então ela não me vê como o anticristo…
A mensagem não é de Grace.
É de um número desconhecido, e levo uns dez segundos para ser capaz de registrar o que estou lendo. Algo que está fazendo meu ódio fervilhar.

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