[OUTUBRO DO TERROR] RESENHA: SANGUE QUENTE – ISAAC MARION

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Livro: Sangue Quente
Autor: Isaac Marion
Editora: Leya
Páginas: 256

Sinopse:

R é um jovem vivendo uma crise existencial – ele é um zumbi. Perambula por uma América destruída pela guerra, colapso social e a fome voraz de seus companheiros mortos-vivos, mas ele busca mais do que sangue e cérebros. Ele consegue pronunciar apenas algumas sílabas, mas ele é profundo, cheio de pensamentos e saudade. Não tem recordações, nem identidade, nem pulso, mas ele tem sonhos.

Após vivenciar as memórias de um adolescente enquanto devorava seu cérebro, R faz uma escolha inesperada, que começa com uma relação tensa, desajeitada e estranhamente doce com a namorada de sua vítima. Julie é uma explosão de cores na paisagem triste e cinzenta que envolve a “vida” de R e sua decisão de protegê-la irá transformar não só ele, mas também seus companheiros mortos-vivos, e talvez o mundo inteiro.

Assustador, engraçado e surpreendentemente comovente, Sangue Quente fala sobre estar vivo, estando morto, e a tênue linha que os separa.

Minha resenha:

Eu jamais esperava que este livro fosse me fazer rir! Só de pensar que zumbis podem ter sentimentos, raciocínios lógicos e, pasmem, humor… sim, precisava ler para o Outubro do Terror.“R” é um personagem bem humorado e com opiniões bem explícitas sobre a sua “vida” como zumbi. Tirando a rotina de perambular e grunhir, pouca coisa o faz diferente dos demais mortos-vivos, exceto que sua mente, mesmo atrofiada, ainda funciona.

“Eu estou morto, mas não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome. Dificilmente algum de nós tem um. Nós os perdemos como perdemos as chaves do carro, os esquecemos como esquecemos de alguns aniversários. O meu talvez começasse com R, mas é tudo que sei.” (“R”)

A narrativa de Isaac Marion é fluída e sarcástica. Tendo como pano de fundo uma realidade bastante cruel, não há como fugir da guerrilha humanos vs zumbis. Mas o autor é sábio ao contar de forma bem humorada que os tais seres possuem algo além de rosnados e sua terrível fome por cérebros humanos.

As páginas iniciais de Sangue Quente são um verdadeiro “acorda” para quem nunca leu algo do tipo. E assim como Joyland, do mestre Stephen King, não há capítulos. Mas os textos são separados por desenhos de partes do corpo (um prato cheio para os zumbis, bem, se eles pudessem ler, é claro!).

Apesar do cotidiano enfadonho, “R” tem sua vida mudada quando sai para caçar em um dia qualquer. Ao alimentar-se de um garoto, as memórias da vítima passam a tomar conta da mente do zumbi, que acaba se ligando a Julie Grigio, alguém que irá mexer muito com os sentimentos do protagonista morto-vivo. E a fim de mantê-la segura, “R” passa a ter que enfrentar não só os zumbis que os cercam, mas a sua própria natureza.

Diferentemente do filme adaptado Meu Namorado É Um Zumbi, a história intercala romance com uma distopia bem peculiar. Ao trazer a narração em primeira pessoa de “R”, mais uma vez se percebe o processo de humanização de personagens tidos como sangrentos e crueis

“Reconhecemos a civilização – prédios, carros, a visão geral da coisa – mas não temos um papel nela. Nenhuma história. Apenas estamos aqui. Fazemos o que temos que fazer, o tempo passa e ninguém faz nenhuma pergunta.” (“R”)

Sim, há o velho romance juvenil característico que estamos acostumados, mas o livro traz elementos destoantes deste universo, como os questionamentos filosóficos e políticos da natureza humana em sociedade, por exemplo. Não é nada aprofundado, diga-se de passagem, todavia sua apresentação em um enredo como este me deixou admirada.

” Tudo morre alguma hora. Todos sabemos disso. Pessoas, cidades e civilizações inteiras. Nada dura para sempre. Então, se a existência é apenas binária, vida e morte, estar aqui ou não, qual é a porra do sentido de tudo?” (Julie)

Aos que caíram na bobagem de assistir ao filme (eu… cof… cof), o livro traz uma radiografia mais acurada da transformação do protagonista, complementando o universo com mais informações sobre como ser um zumbi e as castas desta nova sobrevida.

E vale o destaque: mesmo sendo um zumbi, não é impossível ter bom gosto musical!

4pumpkins

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