Resenha: Outlander #3- Diana Gabaldon

 

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Outlander – O Resgate no Mar, Livro Três, Partes I e II.
Autora: Diana Gabaldon
Editora: Saída de Emergência/Arqueiro
Anos: 2015 e 2017.
Páginas: respectivamente, 591 e 655.

Sinopses:

O Resgate no Mar, Parte I:

“Há vinte anos Claire Randall voltou no tempo e encontrou o amor de sua vida – Jamie Fraser, um escocês do século XVIII. Mas, desde que retornou à sua própria época, ela sempre pensou que ele tinha sido morto na Batalha de Culloden. 

Agora, em 1968, Claire descobre, com a ajuda de Roger Wakefield, evidências de que seu amado pode estar vivo. A lembrança do guerreiro escocês não a abandona… seu corpo e sua alma clamam por ele em seus sonhos. Claire terá que fazer uma escolha: voltar para Jamie ou ficar com Brianna, a filha dos dois.

Jamie, por sua vez, está perdido. Os ingleses se recusaram a matá-lo depois de sufocarem a revolta de que ele fazia parte. Longe de sua amada e em meio a um país devastado pela guerra e pela fome, o rapaz precisa retomar sua vida.

As intrigas ficam cada vez mais perigosas e, à medida que tempo e espaço se misturam, Claire e Jamie têm que encontrar a força e a coragem necessárias para enfrentar o desconhecido. Nesta viagem audaciosa, será que eles vão conseguir se reencontrar?”

O Resgate no Mar, parte II:

“A extraordinária saga continua.

Claire Randall finalmente conseguiu voltar no tempo e reencontrar Jamie Fraser na Escócia do século XVIII, mas sua história está longe do final feliz. O casal terá que superar muitos obstáculos, de fantasmas a perseguições marítimas, mas o principal deles são os vinte anos que se passaram em suas respectivas épocas desde a última vez que se viram.

Se a intensa paixão e o desejo entre eles parecem não ter diminuído nem um pouco, o mesmo não se pode dizer sobre a confiança. Jamie agora é um homem endurecido pelo que aconteceu após a Batalha de Culloden. Claire, por sua vez, precisa lidar com o segundo casamento de seu amado e suportar a saudade de Brianna, que ficou sozinha no ano de 1968.

A união dos dois será posta à prova quando o sobrinho de Jamie for sequestrado. Juntos, eles precisarão singrar pelos mares e cruzar as Índias Ocidentais para resgatá-lo, provando mais uma vez que nada é capaz de deter uma história de amor que vence as fronteiras do tempo e do espaço.”

Meu Desabafo:

Última leitura de 2016 e primeira leitura de 2017, e eu precisava começar com o pé direito. Por isso, escolhi O Resgate do Mar para “abrir os trabalhos”, mesmo quase me esfolando viva com tanta tensão.

Apesar da dificuldade inicial de persistir na leitura, devido ao tempo e um resfriado infernal, terminei com muita alegria o terceiro livro da série e respeitando ainda mais a escrita de Diana Gabaldon.

Não é fácil! E continua não sendo fácil ler sobre uma história com conteúdo tão rico em detalhes e embasamento histórico. Mas minha principal sensação ao pegar o livro é de conforto, porque sei que apesar de todo sofrimento, as palavras e ações daqueles personagens vão me fazer viajar. Seja para as Terras Altas da Escócia, seja para qualquer outro reduto do mundo.

E O Resgate no Mar faz isso perfeitamente e sem um pingo de modéstia!!!

Se você ainda não leu, sinto muito, mas dessa vez não vai escapar de pequenos spoilers que são essenciais para esta “resenha/desabafo”. Na verdade, ouso dizer que escreverei apenas uns dois, no máximo três, porque não dá para falar deste livro sem falar do… (1º Spoiler) reencontro de Claire e Jamie.

“(…) A memória do corpo é diferente da memória da mente. Quando eu pensava, imaginava e me preocupava, sentia-me acanhada e sem jeito, tateando no escuro. Sem a interferência do pensamento consciente, meu corpo o conhecia e respondia imediatamente ao dele, em perfeita sintonia, como se ele tivesse acabado de me tocar e todos esses anos não houvessem transcorrido.” (Claire)

A edição que me permitiu viajar é da Saída de Emergência, mas a responsável pela publicação desta série atualmente é a Editora Arqueiro. Portanto, a divisão do conteúdo em dois livros facilitou o manejo, já que ambas totalizam 1.246 páginas. E lembrando a “musculação” que foi A Libélula no Âmbar (leia nossa resenha aqui), foi uma boa ideia (e rentável cof, cof) fazer esta divisão.

Ok, vamos lá e deixe-me começar pela Parte I:

“Às vezes, vinte anos pareciam apenas um minuto, outras, pareciam um tempo realmente muito longo.” (Claire)

OHHHHH SOFRÊNCIA! *pausa para inúmeros suspiros* Acredito que os autores devem ter um pacto do tipo “vamos fazer personagens incríveis, mas eles precisam sofrer um bocado para vendermos a história e deixar nossos leitores amarrados”!!!

*Mais suspiros*

Quando nos despedirmos de Claire Fraser (tá, Randall também) em A Libélula no Âmbar, nossa protagonista descobre que seu (e NOSSO) amado Jamie Fraser está vivo, e como consequência, ela precisa voltar a Craig Na Duh e seguir para Escócia pós-Culloden. Mais precisamente, VINTE ANOS DEPOIS.

Quando li isso fiquei com um belo aperto na barriga (sim, pois insisto em não ler a sinopse. Yeah, mania minha!). Queridos, VINTE anos é um baita lapso temporal!!! E também não vamos esquecer que as pessoas mudam depois de tanta desgraça presenciada. É claro que a busca pelo paradeiro de Jamie não é moleza. Não havia Google (duh!) e sim muita papelada e três cérebros afiados.

Assim, Claire, Brianna e Roger embarcam na busca e encarnam a versão histórica de… (2º Spoiler) “Onde está Fraser?”. Muitos capítulos, muitos papéis e documentos oficiais, além de cenas de flashback do procurado mais ruivo do mundo. É  assim que praticamente “comemos” um pouco mais da metade do primeiro livro cercados por dados históricos e uma novela ficcional fantástica que é marca registrada da autora.

Um dos aspectos positivos desta primeira parte é conhecer mais a Brianna e o Roger, além de saber sobre como Claire e Frank conseguiram seguir com suas vidas após a volta dela. Do outro lado, vemos a difícil batalha de Jamie para sobreviver, a importância da sua família e aliados (Fergus que amoooo!).

Aspecto negativo: meu encanto por Frank Randall virou caquinho! *tristeza*

“(…) É forte e é bom, mas não é amor. 
– Qual a diferença?
Ele esfregou o rosto com força. Ela iria ser uma filósofa, pensou ele ironicamente. Inspirou fundo e expirou com força antes de responder.
– Bem, o amor é por uma única pessoa. Isso, que você sente por mim, você pode sentir por qualquer homem, não é particular.
Somente uma pessoa. Afastou o pensamento de Claire com firmeza e, exausto, inclinou-se mais uma vez em seu trabalho.” (Jamie e alguém que recuso falar o nome *grrr*)

Até agora, acredito que passei um pouco da minha angústia (e drama!) com o livro. Então vamos voltar ao primeiro spoiler, o REENCONTRO.

Não posso dizer muito, porém foi bem satisfatório para mim. A atmosfera de segredo e emoção bem composta pela autora traçada numa pequena aventura até Claire pôr seus olhos em Jamie… vinte anos depois de sua despedida no círculo de pedras bem longe de onde estão.

É claro que este encontro desencadeia estranheza e adaptação dos dois nos dias que se seguem. CONTUDO, Diana Gabaldon não seria quem é sem nos tirar a respiração. E é aí que a frase “o tempo realmente é capaz de mudar as pessoas” se encaixa perfeitamente ao enredo. E aí, queridos… haja coração!

O que posso ainda dizer sobre o primeiro livro é que, sabe aquele barquinho de papel que colocamos numa poça ou numa bacia (se é que alguém faz isso hoje?!) e mexemos na água para vê-lo cair de lado e acabar com o papel todo molhado, pois bem, é essa emoção que tive sobre a Parte I de O Resgate no Mar.

E isso é ruim? Que nada! Até parece que eu não tinha outro barquinho já preparado para brincar…

E aí, entra a Parte II!

Que constata que é definitivamente um livro de aventuras!!!!!!!!! Gente, a autora não poupou cenários e muitos, mas muitos problemas para Claire e Jamie.

O começo ainda estabiliza a reconexão do casal. Sim, este ponto a Diana sabe como escrever tão bem. Digo até que ela foi incisiva e ao mesmo tempo prolixa ao detalhar as diversas camadas que o tempo impôs aos protagonistas e a todos que se relacionam com eles.

“Estranhamente, eu estava mais empolgada do que perturbada. Eu levara uma vida estável por vinte anos, presa como um coral pelas minhas ligações com Brianna, Frank e meus pacientes. Agora, o destino e meus próprios atos libertaram-me de todos esses laços e eu me sentia como se estivesse rolando nas ondas de uma rebentação, à mercê de forças muito mais poderosas do que eu.” (Claire)

O retorno ao seu lar, a cumplicidade e a confiança, o medo e o respeito, tudo muito bem descrito e posto na forma da montanha-russa emocional que estamos tão acostumados a ler. Minha queixa é que… bem, teve um mimimizinho da Claire que realmente me incomodou. Florzinha, Jamie é maravilhoso, inteligente, nobre, mas não é santooo! Acorda, fia!

Uma coisa que me fez mudar de ideia foi a figura de Lorde John Grey. Eu não gostei dele na primeira parte (sorry!). Achei uma cópia “boazinha” de Capt. Black Jack e achei um personagem insosso. CONTUDO, acho que posso dizer que, (3º Spoiler) nesta Parte II, o aristocrata meio que me encantou (não tanto assim, apenas melhorou de nível hehehehehe). E sua relação com Jamie, UAU!!!!

Temos a frequente aula de História Geral que a autora sabe fazer muito bem. Mesmo que seja uma versão tão extensa dela desta vez. Porque, nossa, certos cenários eu conseguia chegar a sentir que estava lá no meio… e não vou fingir que achei um tiquinho cansativa a quantidade de detalhes. Menos é mais, Diana!

A verdade é que os dois livros trazem uma gama de novos personagens, o passado mais influenciador que antes e um futuro tão novo quanto qualquer recomeço.

“Amar você me levou ao inferno mais de uma vez, Sassenach; mas eu correria o risco outra vez, se necessário.” (Jamie)

Classificação: 4 estrelas (0,5 a menos por cada livro)

4estrelas

Um pensamento sobre “Resenha: Outlander #3- Diana Gabaldon

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