Resenha: Geekerela, de Ashley Poston

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Geekerela
Autora: Ashley Poston
Editora: Intrínseca
Páginas: 384
Ano: 2017

Sinopse:

Um divertido romance que traz a clássica história de Cinderela para os dias de hoje.

Quando Elle Wittimer, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar uma refilmagem hollywoodiana, ela fica dividida. Antes de seu pai morrer, ele transmitiu à filha sua paixão pelo clássico de ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca tinham ouvido falar da série. Mas a produção do filme anunciou um concurso de cosplay numa famosa convenção valendo um convite para um baile com o ator principal, e Elle não consegue resistir. Na Abóbora Mágica, o food truck vegano onde trabalha, ela encontra a ajuda de uma amiga cheia de talentos para moda que vai criar o traje perfeito para a ocasião. Afinal, o concurso é a chance de Elle se livrar das tarefas domésticas impostas pela terrível madrasta e das irmãs postiças malvadas.

Já Darien Freeman, o astro adolescente escalado para ser o protagonista do filme, não está nada ansioso para o evento, embora o papel seja seu grande sonho. Visto como só mais um rostinho bonito, o próprio Darien também está começando a achar que se tornou uma farsa. Até que, no baile, ele conhece uma menina que vai provar o contrário.

Esta releitura de Cinderela transporta para o universo nerd os principais elementos do clássico conto de fadas, fazendo uma verdadeira homenagem a todos aqueles que sabem o que é ser fã e se dedicar de coração àquilo que amam.

Minha resenha:

Se você está buscando uma leitura divertida e leve, com um tiquinho de drama para perder o fôlego de vez em quando, então recomendo “Geekerela”, da Ashley Poston, lançamento do mês de junho deste ano, da editora Intrínseca.

Danielle “Elle” Wittimer encarna a Cinderela da vez. Nesta versão contemporânea, nossa gata borralheira tem o lado sci-fi como mundo mágico e real a sua volta. Isso porque desde pequena ela foi apresentada a uma série de ficção científica que mudou sua vida: Starfield.

“Mas meu pai… Ele acompanhou tudo desde o começo. Era um fã original. Até criou uma convenção, a ExcelsiCon. Íamos juntos todo ano. Eu me lembro de ver os atores já velhos, de pedir para autografarem minha pistola estelar. De esconder a réplica na mochila para levar para a escola. De acordar todo dia com a música tema tocando no despertador dele.” (Elle)

Mas como nem tudo são flores, a madrasta de Elle realmente é o pior que se pode imaginar. Mimada, preconceituosa e irritante, Catherine é a típica personagem que te tira do sério. Não é a toa que recebeu o apelido mais querido do livro: que vocês irão ler para descobrir. (hehehehe)

E o que seria de uma mãe sem suas filhas pupilas em chatice? Pois bem, as gêmeas do mal, Chloe e Calliope, estão prontas para atazanar a vida da mocinha, sendo a Chloe a mais destemperada e irritante das duas. A vida em casa de Elle não é fácil…

“— Me devolve! Isto não é seu!
— E também não é seu! — retruca Chloe, correndo para longe. O tecido do colarinho escapa das minhas mãos. — Isso estava na nossa casa, então é nosso!
— Nossa casa? Nada aqui nunca foi seu!” (Elle e Chloe)

Por sorte, seu trabalho na Abóbora Mágica, um food truck de comida vegana, proporciona a ela a oportunidade de fugir das criaturas do pântano por algumas horas. Também é o lugar em que conhecemos a Hera, uma personagem que será de grande ajuda a nossa mocinha quando tudo parece ruir a sua frente.

Mas até lá, uma mensagem de texto no antigo celular de seu pai faz com que a vida pacata e triste de Elle inicie em sua uma grande jornada.

Do outro lado do país, Darien Freeman está na crista da onda de sua carreira. Grande estrela de uma série famosa adolescente, este famoso ator teen está pronto para a nova oportunidade de sua vida. Ele será Carmidor, personagem principal da série Starfield e ponte para o estrelado no mundo do cinema.

Para o mocinho, este papel vai mais além. Ser Carmidor é a realização de um sonho, que ultrapassa o lado profissional e glamoroso da carreira. O remake da série traz emoções conflituosas a Darien, questionando sua capacidade de atuar e de como conviver com o fantasma da série clássica como comparativo.

“— E Darien — ele nem sequer me confunde com o príncipe da Federação, o que não pode ser um bom sinal —, dá pra ser mais… — Ele balança a mão em círculos. Um maquiador pula para o cenário e vem ajeitar o sangue falso na minha testa. — Mais Carmindor?” (Darien)

E assim como Elle, nosso ator fofo também tem que aturar seus próprios chatos de galochas, mas por sorte tem dois companheiros que lhe ajudam sempre que possível. Gail e Lonny são uns queridos e vão equilibrar a vida atribulada do rapaz.

Dessa forma, o livro começa a render. Sob o ponto de vista dos dois personagens principais, Elle e Darien, a trama se instala aos poucos, mas seu desenvolvimento é crescente e viciante. E quando os dois mundos impossíveis dos personagens se chocam, é indubitável que teremos uma grande tensão vindo por aí. E este é um ponto que faz a escrita de Ashley Poston bem divertida e flexível.

A autora soube como contar a vida de um fandom pelos olhos de uma fã de verdade. Além de expor como essas pessoas se dedicam em preservar a memória de uma série que mudou suas vidas, através de blogs e eventos. E não esquecendo das referências divertidíssimas dos principais filmes e séries cultuados até hoje, tudo mesclado de um jeito bem esperto que a autora encontrou de nos contar esta história tão conhecida.

“O destino só pode estar zoando com a minha cara. Meu humor não melhoraria nem se Nathan Fillion em pessoa aparecesse na minha frente.” (Darien)

Outro ponto que me motivou a continuar a história é que os dramas vividos pelo casal foram desenvolvidos sem o mimimi típico dos clichês. Similares em alguns aspectos, a vida de Elle e Darien tem seus questionamentos bem amarrados, afinal são adolescentes que vivem em um mundo adulto duro e árduo. E de alguma forma estão sobrevivendo a todo tipo de dificuldade e/ou decepção.

Claro, que além disso, a Intrínseca fez uma diagramação linda e bem fofa do livro, que vai desde a capa até as páginas que dividem as histórias. Tudo original e condizente com a narrativa.

Como nem tudo são flores, algumas passagens são bem previsíveis, que apesar de bem executado, não traz nada de novo ao gênero YA. E, como sempre, aquela reclamadinha típica de uma sinopse que conta QUASE tudo. Um pouco de mistério é bom, Intrínseca. Não entrega o ouro logo, poxa!

Por fim, Geekerela conta uma história convincente e honesta. Provoca nossa admiração pelos personagens que estão lutando para conseguir ser quem são e que lutam contra as adversidades que atrapalham a suas vidas. Além disso, o toque de humor e o mergulho no universo nerd/geek trouxeram um charme a mais na leitura.

No mais, não se esqueça do lema de Starfield:

“Apontar para as estrelas. Mirar. Disparar.”

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Por Camilla Carvalho

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